quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A Greve dos Garis de Niterói e fechamento da Ponte pelos operários do COMPERJ revela que os trabalhadores não querem pagar pela crise!

por Prof. Josemar Carvalho


 O ano de 2015 vem mostrando que vai ser agitado politicamente. Nem passado o carnaval, as mobilizações acontecem e radicalizam cada vez mais.


Vitoriosa passeata dos trabalhadores sobre a Ponte Rio-Niterói
A crise econômica chega cada vez mais ao cotidiano popular. A inflação já se faz sentir no bolso dos trabalhadores. Não precisa ser especialista em economia para saber que o aumento do preço da gasolina está gerando aumento dos preços. O corte de verbas de 22 bilhões do orçamento aumenta ainda mais a percepção popular da crise.


A operação Lava Jato faz por aumentar a crise de representatividade da Presidente Dilma e de seu partido, o PT. O discurso pseudo-esquerdista da eleição da Presidenta vira estelionato eleitoral quando observamos os passos tomados neste novo governo. 


A mobilização dos estudantes

O discurso do planalto, “Brasil, Pátria educadora” caiu por terra. Nas universidades públicas o corte de verbas já chegou. Nas particulares, as políticas de assistência estudantil financiada pelo governo federal atrasam e geram instabilidade. Na educação básica, a falta de merenda e de estrutura nas diversas redes públicas de ensino não são perceptíveis porque o ano começou agora e descaso antecede a crise.


A crise urbano-ambiental convertida em crise hídrica e energética coloca em xeque o governo federal e os governos estaduais, em especial o governo de Geraldo Alckimin (PSDB) em São Paulo. Revelando que a lógica neoliberal, do PSDB e do PT, não priorizou a qualidade dos serviços públicos.


Diferente do PT, que longe de implementar um projeto de esquerda, os ventos europeus construídos a partir das mobilizações que levaram à vitória do Syriza na Grécia e do crescimento do Podemos na Espanha, mostram que a esquerda e os trabalhadores têm novos caminhos a seguir.


A greve e mobilizações mostram o caminho!


Trabalhadores da Volks
Em janeiro, a greve vitoriosa dos trabalhadores da  Volks em São Paulo e o dia nacional de lutas por empregos e direitos no dia 28 organizado pelas centrais sindicais, já revelaram a tônica de como será o ano.

Na semana passada, a passeata dos trabalhadores do COMPERJ (Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro) foi um ápice da conjuntura. O ato dos estudantes denunciando o Ministro Miguel Rosseto na Bienal da UNE também revela a disposição de luta da juventude.


Ato de Garis de Niterói
Os garis de Niterói deflagraram a greve contra a Prefeitura de Rodrigo Neves (PT). A categoria esta que tem histórico de lutas exigia valor do tíquete-refeição para R$ 20, R$ 5 a mais do que foi acordado na paralisação na greve do ano passado. Outro ponto de pauta era a equiparação do piso salarial com os trabalhadores da COMLURB (Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro), no valor de R$ 1.200,00. Os garis de Niterói ganham R$ 876,00.


Por volta do meio dia, os trabalhadores do COMPERJ caminharam pela Ponte Rio-Niterói em direção a sede da Petrobrás no Rio de Janeiro. Entre as reivindicações destes trabalhadores, ligados a construção civil, está o pagamento de atrasos salariais que chegam até três meses. A grande mobilização atingiu a região metropolitana como um todo. As vias de acesso a Ponte ficaram completamente paralisadas por horas.

As empresas prestadoras de serviço da Petrobras diante da crise instalada a partir das denuncias de corrupção, fecharam suas portas. 


Os trabalhadores vêm fazendo várias mobilizações, que começaram na cidade de Itaboraí onde está sediado o COMPERJ. Devido a pouca cobertura dos atos pela grande mídia, os trabalhadores radicalizaram e tiveram sucesso na sua ação.


Do nosso ponto de vista, saudamos politicamente o ato e afirmamos que o nosso apoio é integral. Não aceitamos que o PT, figuras do PMDB e os neoliberais do PSDB (que sonham em privatizar a Petrobras) pensem em criticar o movimento.


Antes estes partidos da ordem burguesa tem que explicar os escândalos dos últimos 20 anos da empresa e as doações espúrias aos seus dirigentes. 


Nós do PSOL temos o orgulho de ser o único partido no Congresso Nacional que não está envolvido no esquema de corrupção da Operação Lava Jato. Orgulhamos também de fazermos parte da organização dos trabalhadores e da juventude pelos seus direitos e por uma outra sociedade.

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Josemar Carvalho, 39 anos, 1º Suplente de Deputado Estadual do PSOL-RJ, professor universitário e da rede pública de ensino. Presidente do Diretório Municipal do PSOL de São Gonçalo- RJ.

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