sábado, 13 de maio de 2017

129 anos da Abolição da Escravatura: reflexões e desafios para luta contra o racismo no Brasil



por Prof. Josemar Carvalho


A escravidão negra, ao lado da dizimação dos grupos indígenas, é maior vergonha da história do nosso país.

Os 356 anos de escravidão negra é uma marca profunda na sociedade brasileira. A cabeça do nosso país é escravocrata, as desigualdades sociais são reflexos disso. No Brasil, o racismo não é um preconceito pontual contra um grupo minoritário que visa se estabelecer como gueto. É contra a maioria da população. O capitalismo brasileiro se estruturou tendo como base exploração/opressão racial.

A discussão de classe se funde com questão racial. O racismo no Brasil é estrutural. Os trabalhadores no Brasil são na sua maioria são negros. Recebendo os piores salários e tendo as menores oportunidades. Dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostram que os negros recebem 40% a menos do que os não-negros.

Neste texto temos o objetivo de dialogar brevemente sobre o papel da escravidão na constituição de nosso país, sobre ausência de politicas publicas para os negros após a Lei Aurea, os pressupostos básicos para luta contra o racismo e apresentar alguns programáticos esta mobilização.

Este texto não tem a pretensão de encerrar o debate e fechar as portas para o dialogo. Aproveita a data para fazer trazer reflexões e apontar perspectivas necessárias sobre a luta contra o preconceito racial no Brasil.


A escravidão é um pilar histórico das relações de trabalho no Brasil

Desde o período colonial, a mão-de-obra negra foi a força de trabalho brasileira. Os primeiros negros chegaram no Brasil entre 1532 e 1538, visando o cultivo dos produtos tropicais.

A opção pelo trabalho escravo negro estava diretamente ligada ao trafico negreiro e necessidade da Corte europeia e do Clero. A intensificação do trafico negreiro ocorreu no Século XVII. A existência majoritária de escravidão negra em nosso país não apaga o uso do trabalho dos índios em vários momentos da nossa história.

Como dizia Foulcalt, “onde há poder tem resistência”. A luta negra não é um fato a ser menosprezado. Apesar de muitas lacunas na historiografia, é possível observar várias lutas ao longo dos diversos séculos. Os quilombos brasileiros foram a maior exemplo desta auto-organização.

O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão. O Império Brasileiro (1822-1888), marcado pelas pactuações entre os monarcas e elites escravocratas da época, “segurou” ao máximo o processo de libertação dos escravos. A unicidade do território, a preservação da monarquia e manutenção da escravidão, foi um tripé construído que forneceu bases para existência do Império Brasileiro.

A unicidade do território fez com as terras do antigo império português se  constituíssem num único país, diferente da América Espanhola, que se fracionou em vários países.

A preservação da monarquia, garantiu de forma “sui generis” a linha de continuidade da linhagem portuguesa a frente do “novo Imperio” brasileiro. Contradições são visíveis, como que um monarca português deu grito do Ipiranga contra o seu próprio pai e na sequencia foi substitui-lo. Uma das Contradições que a história tradicional não irá apontar.

A escravidão foi um pilar econômico das relações de poder da época. Isto explica o fato de que da abolição brasileira ser a última entre os países independentes da América. O seu atraso foi um produto de um conjunto de pactos entre as elites regionais da época, que ao longo dos anos foram negociando saídas transicionais diante pressão internacional inglesa e do “medo” de revolta negra como teve no Haiti.


A lei Aurea não apresentou politicas de integração do negro à sociedade

Em 13 de maio de 1888, através da Lei Imperial nº 3353, foi sancionada a Lei Áurea, que dava um “fim formal” à escravidão negra no Brasil. A escolha da data está relacionada ao aniversario em data comemorativa ao nascimento de seu bisavô Dom João VI.

O contexto de politico de 129 anos atrás era marcado pela falta de representatividade politica do Império e pela mudança gradual nas relações de trabalho servil no Brasil. Estudos apontam que menos de 10% da mão de obra do ano da abolição era escrava. Processos anteriores (Lei de Terras -1850; Lei do Ventre Livre-1871; Lei do Sexagenários – 1885, entre outras) já sinalizavam para o fim da escravidão.

Longe de representar a “democracia racial”, a Lei assinada pela Princesa Isabel, em data comemorativa ao nascimento de seu bisavô Dom João VI, não colocou o negro em situação de equidade social, politica e econômica no país. A lei Áurea não veio combinada com nenhuma politica efetiva de inserção do negro na sociedade brasileira. Não teve reforma agraria, nem incentivo financeiro e muito menos reforma urbana. O negro foi posto a margem da sociedade e nela sobrevive ...

Por lado a elite branca escravocrata se transformou nos grandes proprietários de terras. A Lei de Terras de 1850 (colocou o valor de compra como fator determinante para propriedade) colaborou decisivamente para consolidação das grandes propriedades já existentes. Transformando-as nos latifúndios do nosso tempo.

Por outro lado, os negros ao longo dos seus 100 primeiros anos nunca tiveram uma politica de afirmativa. Do ponto de vista geral, a politica de cotas nas universidades é primeira politica afirmativa de grande porte para o povo negro. Muito tempo se passou e nada foi feito!


Algumas premissas iniciais para o trabalho da luta racial

Como vimos, o racismo é parte estruturante da sociedade capitalista brasileira. Entender este pressuposto é uma premissa fundamental para lutarmos por igualdade no nosso tempo.

Não haverá uma verdadeira inserção do povo negro enquanto existir capitalismo e suas formas de exploração. Os negros ganham os menores salários. Quanto mais precarizada a classe trabalhadora, mais negra ela será.

A escola pública, os serviços de saúde e politicas de assistência social não atendem a maioria de nossos irmãos pretos. A seletividade da justiça e violência policial tem alvo “claros”: nós, os negros. O caso de Rafael Braga é mais um exemplo da seletividade racial do sistema judiciário brasileiro, que prende preto, pobre e favelado e manda soltar Eike Batista.

Um programa socialista para o Brasil deve incorporar as pautas e expressar a luta povo preto em nosso país. Isto não quer dizer que não podemos lutar medidas transitórias e parciais como parte do fortalecimento da nossa luta.

Outro aspecto fundamental que devemos levar em consideração é que a população negra no Brasil é maioria. Dados do IBGE apontam que 51% da população do nosso pais já se autodeclara negra, diferente dos anos anteriores onde a “ideologia do embranquecimento” mascarava os dados.

Compreender isto é fundamental para avançarmos na luta politica. Não somos um gueto, somos a maioria. Queremos a nossa reparação histórica e social. Não queremos apenas nos inserir no mercado de trabalho. Queremos ser dirigentes. Queremos cursar faculdade. Ser médico. Ser professor. Ser advogado. Ser Juiz. Queremos ter a nossa oportunidade.

Uma reflexão também necessária, é de que diferente da construção histórica dos Estados Unidos e da África do Sul, onde os espaços foram abertamente segregados, no Brasil, a segregação racista se apresentou de maneira diferente. Como o processo não foi “institucionalizado”, a segregação espacial existente ficou “velada”. Os muros sociais e raciais são invisíveis aos olhos do senso comum.

A compreensão deste pressuposto nos coloca numa luta aberta contra a concepção liberal de meritocracia. Combater a meritocracia é combater a exclusão. Discursos meritocráticos não levam em consideração as condições sociais dos indivíduos em questão. Como comparar um jovem negro que mora no Morro do Feijão no bairro do Paraíso em São Gonçalo, que estuda numa escola pública altamente sucateada, que trabalha oito horas por dia, com outro filho de um empresário rico da Zona Sul do Rio. O discurso meritocrático não leva em consideração tais diferenças. Igualam coisas diferentes para manter a ordem social no mesmo lugar.

Um revolucionário deve observar para além da aparência, deve ir na essência dos fenômenos e nas raiz dos problemas. Para isso é fundamental, compreender que a luta pela libertação do povo negro passa por uma luta politica por direitos sociais quer tenha por estratégia a luta global contra o sistema capitalista.


Construir uma pauta de lutas para o povo negro, pobre e trabalhador neste período é fundamental!

Nesta parte final deste artigo, temos o objetivo dialogar sobre propostas iniciais para mobilização da população negra brasileira, que como já afirmamos é maioria da classe trabalhadora do nosso país.

Entendemos tais pontos como parte de programa proletário transitório de luta socialista em que a população negra se mobiliza por propostas imediatas que visam acumular/resistir diante de nossos objetivos históricos.

Como afirmamos no ponto anterior, a luta de classes no Brasil passa por entender a a transversalidade da luta racial no contexto histórico de nacional territorialidade nacional.

Diante disso, as listaremos algumas propostas iniciais de mobilização e de luta na sociedade:

1)    Defesa das cotas raciais nas universidades públicas brasileiras e nos serviços públicos!
2)    Lutar contra as reformas trabalhista e da previdência, que retira direitos da classe trabalhadora brasileira!
3)    Denunciar o genocídio do povo negro e pobre das comunidades e das favelas;
4)    Liberdade para Rafael Braga e para todos os injustiçados pela justiça racista!
5)    Liberdade de culto – Contra toda forma de intolerância religiosa;
6)    Combater o mito da democracia racial!
7)    Reparação para as comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas, caboclas, seringueiras e demais povos oprimidos!
8)    Saneamento básico e programa reforma urbana democrática;
9)    Universalização dos serviços públicos de saúde, educação, transporte e assistência social;
10) Desmilitarização das policiais militares!
11) Enaltecer a luta e a identidade do povo negro na construção brasileira, nenhuma criminalização a nossa cultura!
12) Contra as diversas formas de violência contra as mulheres e contra hipersexualização de nossos corpos!



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Josemar Carvalho, 41 anos, professor universitário e da rede pública de ensino. Coordenador e Educador Popular da Rede Emancipa. Presidente do Diretório Municipal do PSOL de São Gonçalo- RJ. 1º Suplente de Deputado Estadual do PSOL-RJ.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Luta contra as reforma da Previdência e trabalhista marcará os atos de Primeiro de Maio


O Dia dos trabalhadores deste ano será marcado pelo sentimento de luta e mobilização que protagonizou a greve geral do último dia 28.


Centrais Sindicais, partidos de esquerda e diversas entidades do movimento social estiveram nas principais Capitais do país mobilizando a classe trabalhadora contra as reformas da previdência e trabalhista do Governo Temer. No Rio de Janeiro, o ato unificado está marcado para a Cinelândia. 

Nós do PSOL São Gonçalo, saudamos o nosso dia e afirmamos a importância de seguirmos lutando.

- - - - - - - - - -  Sobre o 1º de Maio - - - - - - - - - -

O Primeiro de maio é dia de reflexão e principalmente de luta. A sua história está ligada ao 1º de Maio de 1886, há 131 anos, que os operários da cidade de Chicago- importante centro industrial dos Estados Unidos- se levantaram contra as péssimas condições de trabalho, exigindo a redução da jornada de trabalho. Naquela época a jornada de trabalho variava entre 13 e 16 horas.
 
Convocatória do ato de 1º de Maio


 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Todo apoio à Greve Geral do dia 28 de abril!

Na próxima sexta-feira, dia 28 de abril, trabalhadores e trabalhadoras de todo o país participarão da Greve Geral convocada pelas centrais sindicais contra as reformas do governo golpista de Michel Temer. Várias categorias profissionais já aprovaram a adesão ao movimento, assim como movimentos sociais e o movimento estudantil. Outras entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e a AEB (Aliança Evangélica Brasileira) já se posicionaram contra as reformas. Essa mobilização acontecerá em um momento onde o governo tenta acelerar as votações no Congresso Nacional que visam retirar direitos da classe trabalhadora.
De acordo com a proposta de Reforma da Previdência defendida por Temer e seus apoiadores (maioria do congresso nacional, grandes empresários, banqueiros e a Rede Globo), os trabalhadores deverão contribuir por 40 anos ininterruptos para se aposentarem com o teto máximo da previdência, que hoje é de R$ 5531,00. A idade mínima também sofrerá alterações passando para 62 anos para as mulheres e 65 para os homens. Da mesma forma, o BPC – Benefício de Prestação Continuada - que é recebido por pessoas incapacitadas para o trabalho e idosos com idade igual ou acima de 65 anos, que possuam uma renda per capita de até 25% do Salário Mínimo, terá a sua idade alterada para 68 anos e passará para 70 anos em 2020. O acúmulo de benefícios será permitido somente se a soma dos mesmos for, no máximo, dois salários mínimos. O tempo de contribuição mínimo para a aposentadoria que atualmente é de 15 anos, passará para 25 anos.
No que diz respeito à Reforma Trabalhista, a principal mudança é aquela que afirma a prevalência do negociado sobre o legislado. Na prática, significará o fim da Legislação Trabalhista e dos seus mecanismos de proteção ao trabalhador, pois o que for negociado entre patrões e empregados vai sobrepor à lei. Cabe lembrar que num país onde, atualmente, existem 13 milhões de desempregados, os patrões terão ampla facilidade para impor os seus interesses sobre os trabalhadores, já que o desemprego é uma ameaça concreta. Outro absurdo é o parcelamento das férias em até três vezes.
Essas medidas aumentarão a desigualdade social no país e atingirão diretamente a população mais pobre. Além disso, elas estão sendo apresentadas por um governo sem legitimidade, totalmente envolvido em escândalos de corrupção, como tem sido demonstrado com a Operação Lava Jato.
Portanto, é importantíssimo o apoio e a participação de todos os trabalhadores e trabalhadoras na Greve Geral para barrarmos a retirada dos nossos direitos. Além das manifestações e paralisações que ocorrerão ao longo do dia, teremos uma passeata que iniciará às 14hs em frente à ALERJ e caminhará até o Ato Unificado dos Trabalhadores na Cinelândia. Em São Gonçalo estamos participando do Comitê Contra a Reforma da Previdência. Nesse sentido, queremos convidar todos os nossos filiados e simpatizantes para participarem da Assembleia Popular que será realizada no dia 25 de abril às 18hs na Praça do Rodo para, juntos, nos organizarmos para esse que será um grande dia de lutas para os trabalhadores na cidade.
Não vamos trabalhar até morrer!
Nenhum direito a menos!

Fora Temer!

domingo, 23 de abril de 2017

LIBERDADE PARA RAFAEL BRAGA ::: “500 anos de Brasil e o Brasil aqui nada Mudou”!

Por mc PH LIMA

Você conhece Rafael Braga Vieira?

Ele é a prova viva do quanto nosso país é racista! Jovem negro, pobre, favelado e catador de latinhas, Rafael é mais um dos muitos ‘Silvas’ selecionados pelo ‘Estado Democrático Direito’ como alvo! Em um país que,  historicamente, por um lado pune inocentes e por outro  garante liberdade a bandidos de colarinho branco, que a cada 23 minutos mata um jovem negro, que tem uma nação de presos (cerca de 660 mil), dentre os quais mais de 60% são negros e dentre os demais (falo com tranquilidade que) mais de 35% são pobres (a maioria mestiços), ele é um retrato de nossa história passada e presente, marcada pelo racismo estrutural que julga a partir da COR e Origem Social. Em toda a história de Rafael Braga esses foram os únicos elementos concretos utilizados para condená-lo. Seu crime é ser preto e pobre no país mais racista do mundo! 


Histórico:

No dia 20 de Junho de 2013, no epicentro das Jornadas de Junho, começa a saga de Rafael. Ele, que dormia nas ruas do centro e só voltava para casa nos fins de semana, foi preso próximo da grande manifestação que acontecia no centro do Rio, junto com dezenas de outras pessoas. Mesmo sem nunca ter participado de nenhuma manifestação, foi preso acusado de portar materiais explosivos. Na verdade Rafael trazia consigo duas garrafas (lacradas), uma de Pinho Sol e outra de Água Sanitária, material que usava para fazer bicos limpando carros. Todas as pessoas presas nesse dia foram soltas, menos Rafael. Mesmo diante de uma acusação absurda, ele foi o único condenado!

É importante destacar que, nesse período, a luta da juventude contra o aumento das passagens amedrontou todos os governos do país, e, encurralados, formaram uma verdadeira quadrilha organizada em prol da repressão e da criminalização das manifestações que os questionavam nas ruas. Era preciso impedir que aquele fenômeno seguisse adiante. O Rio de Janeiro, que era a vitrine nacional dos megaeventos, receberia no ano seguinte a Copa e posteriormente as Olimpíadas. Foi um dos estados que, com o auxílio da Força Nacional (enviada pela então presidente Dilma Roussef), mais reprimiu as manifestações e o povo. Tudo que foi preciso para garantir o interesse das máfias de engravatados de guardanapos, foi feito. Remoções, Perseguição Política, Mídia, Corrupção e principalmente ampliar a criminalização nas favelas e exporta-la (em grau infinitamente menor) para o asfalto com a finalidade de frear as mobilizações sociais. Por isso é equivocado imaginarmos que nesse período o Brasil gozava de um Estado Democrático de Direito, ao contrário, o mesmo Estado de Exceção que sempre existiu nas favelas, se ampliou. A mesma Força Nacional utilizada para matar os favelados da Maré, foi utilizada para reprimir as manifestações contra a Copa, assim como atualmente vem sendo usada pelo governo de Pezão para reprimir os servidores que lutam por seus salários e todos que protestaram contra a privatização da CEDAE.

É nesse cenário político de completa afronta aos direitos e garantias constitucionais, em que Rafael é preso. O Judiciário, tão podre quanto o executivo, julgou Rafael Braga em um momento que o governo precisava amedrontar os manifestantes. Era preciso prender e condenar alguém em resposta as “afrontas” que essa juventude fez durante Junho e seguiu fazendo no Ocupa Cabral (manifestações na casa de Sergio Cabral). E o judiciário cumpriu sua parte, condenou Rafael Braga de forma 'exemplar" e vergonhosa para a história da Justiça brasileira. 

E por que só Rafael foi condenado? É uma pergunta que nos deparamos a discutir esse caso. 

Porque a Justiça é racista e Seletiva! Viu na figura de Rafael o alvo perfeito para "fazer de exemplo”. 
Se ele fosse branco, bem vestido, filho de algum bam, bam, bam, dificilmente seria levado para a delegacia. Se fosse, provavelmente o próprio delegado não iria denuncia-lo, caso denunciasse certamente seria absolvido. A COR, o CEP e a NÃO CONTA BANCÁRIA de Rafael, foram elementos suficientes para que a justiça considerasse que portar PINHO SOL era um crime!

1ª Condenação:

Rafael foi preso pela polícia de Cabral, que como a história vem provando, é o líder de uma quadrilha que roubou milhões do Rio de Janeiro e, com sua política genocida, também vem assassinando milhares de jovens negros e pobres do Estado! Assim como Amarildo é uma vítima que marca o genocídio do povo negro no Rio de Janeiro, Rafael Braga Vieira é a prova viva do quanto a polícia e o Judiciário são seletivos e racistas no Brasil! Ele é o retrato do nosso sistema carcerário.

Sua primeira condenação teve por base apenas um laudo extremamente insuficiente e contraditório feito pela polícia civil. Nele, afirmavam que Rafael “portava instrumentos com a intenção de criar um coquetel molotov”. Mas, ainda nesse mesmo laudo, também diziam que o “líquido encontrado não era explosivo e que as garrafas eram feitas de plástico”, o que obviamente é uma contradição. Como alguém faz um molotov em uma garrafa de plástico? Além disso, o material recolhido foi destruído sem autorização judicial, o que impedia uma revisão da pericia apresentada.Você acredita que se ele fosse branco, de classe média seria acusado? Se fosse acusado, seria condenado diante de tamanhas contradições? 

Na verdade, o único crime de Rafael Braga é ser preto e pobre no país mais racista do mundo!

2ª Condenação:

As injustiças sofridas por Rafael Braga não pararam por ai. Depois de conseguir finalmente passar a cumprir sua pena em regime aberto, ele mais uma vez sofreu uma acusação forjada e amplamente contraditória!

É importante lembrar que a polícia dentro das favelas persegue 'ex-detentos' e principalmente pessoas como Rafael, que estava com tornozeleira eletrônica. Antes de perguntarem seu nome, te perguntam se "tem passagem" e a partir começa o terror, E nesse sentido, Rafael, que usava essa tornozeleira, era uma presa fácil para os policiais da UPP. No dia 12/01/2016 ele foi abordado por esses policiais quando estava indo comprar pão para sua mãe na favela Vila Cruzeiro, na Penha, onde residem. 

Os policiais o acusaram de tentar se livrar de uma sacola plástica na qual supostamente teriam encontrado 0,6g de maconha, 9,3g de cocaína e um rojão. Uma acusação que desde o início foi desmentida por Rafael! Um FLAGRANTE FORJADO CONFORME CONFIRMAM TESTEMUNHAS! A verdade é que eles torturaram Rafael e queriam que ele dissesse "quem eram e onde estavam os traficantes”. Como Rafael não entregou ninguém, eles decidiram levá-lo e forjar tal acusação. Mais uma vez encontramos dentro de sua história uma prova cabal da não existência do famoso ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO para os pretos e pobres. Essa prática dos policiais (o FORJADO) junto com o AUTO DE RESISTÊNCIA são as duas principais características da PMERJ reconhecidas internacionalmente.

Mesmo assim, o juiz do caso decidiu condenar Rafael Braga tendo como base, apenas, os depoimentos dos policiais envolvidos, ainda que uma testemunha que os desmentia. 

Esse caso apresenta também uma outra face do racismo e da seletividade penal. Ainda que não fosse um “forjado” e acusação fosse verdadeira, e considerássemos que tal sacola fosse realmente de Rafael, a quantidade de entorpecentes seria suficiente para considerar qualquer pessoa traficante no Brasil? Não! Depende de sua COR. Depende de sua CLASSE! 

Certamente se essa suposta sacola tivesse o dobro da quantidade de drogas encontradas, mas na mão de um jovem da zona sul, filho branco, loiro e de olhos azuis no Arpoador ou em outras áreas em que jovens de classe média/alta consomem suas drogas, o entendimento da Justiça seria outro. O problema não é a sacola, é quem a carrega! O Brasil tem sua história marcada pela seletividade penal. Sua Justiça é a que a solta policiais flagrados executando dois homens em Acari mas mantém 40% dos presos do país provisórios, sem condenação em definitivo (mais um exemplo da falta de 'Estado Democrático de Direito' para alguns). É a Justiça que condena um preto como Rafael Braga, por supostamente portar 9,3g de cocaína, mas absolve políticos como Gustavo Parrellas, dono de um helicóptero encontrado com 450 kg de pasta base de cocaína! “o filho do senador não foi citado na denúncia. Para a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, não havia indícios de que Gustavo soubesse que a droga estava sendo transportada no helicóptero de sua empresa.” (http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/dono-de-helicoptero-apreendido-com-cocaina-assume-no-ministerio-do-esporte/)

É a Justiça que condena um pobre como Rafael Braga, por supostamente portar 0,6g de maconha mas absolve um playboy como o “jovem” de 18 anos que foi preso em Nova Friburgo portando 25g de maconha, acusado de tráfico na delagacia, mas que mesmo assim foi considerado apenas usuário, e “foi solto um dia depois, com a ajuda do pai que conhecia uma juíza”. (http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/06/jovem-pego-com-25-g-de-maconha-foi-acusado-de-trafico-e-preso.html). 

A defesa de Rafael entrará com recurso contra essa condenação absurda. Mas, o que será determinante para sua liberdade é a mobilização em torno da sua campanha! Rafael é um preso político, e como tal, precisa do apoio de todo o movimento social, sindicatos, partidos de esquerda, mandatos, artistas, igrejas... É preciso fortalecer a campanha pela Liberdade de Rafael Braga pela base construindo suas atividades, atos, atividades culturais e debates, principalmente nas favelas e periferias. É tarefa de todos, mas em especial de cada militante negro e periférico libertar Rafael Braga. É hora de deixar as diferenças de lado e construirmos uma rebelião de escravos, nas redes e nas ruas! Que cada brasileiro conheça essa história. Que cada organização política faça esse debate. Que esse país sinta vergonha por manter nosso irmão preso! SEM JUSTIÇA PRA RAFAEL NÃO VAI TER PAZ PRA ESSE GOVERNO, OU LIBERTAM NOSSO MANO OU VÃO VER A FÚRIA DOS PRETOS! ( Trecho Rap Temer Não Vou Temer)!