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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Um balanço de 2015 e os desafios para 2016

por Prof. Josemar Carvalho
  


Todo final de ano, na nossa vida pessoal fazemos reflexões sobre os avanços e as dificuldades que tivemos ao longo do período. Na politica também é assim.
O ano de 2015 é, considerado por muitos, o ano II - pós-jornadas de junho. As mobilizações de junho de 2013 foram um marco na luta politica de nosso país. Abriu um novo cenário onde a hegemonia petista foi superada como principal representação dos movimentos sociais combativos.
As ruas viraram palco de ação de politica. As cores e as formas politicas ganharam novo conteúdo. A crítica passou a ser mais presente no cotidiano popular. A politica a ser mais abordada no dia a dia.
Contrariando aqueles que acreditam numa “ofensiva conservadora”, o ano começou quente. Os trabalhadores iniciaram suas lutas antes mesmo do Carnaval. Os operários do COMPERJ em fevereiro fecharam a Ponte Rio-Niterói num dos atos mais memoráveis da história politica de nosso Estado (foto acima). Os garis, os bancários e o funcionalismo seguiram dando a batuta das lutas sindicais.
A juventude também seguiu seu protagonismo. A ocupação de 230 de escolas  feitas pelos secundaristas de São Paulo contra o projeto do Governador Alckmin (PSDB) que previa  fechamento de unidades escolares, revela que os jovens não estão passivos. A mobilização dos jovens das periferias é outro fato. A ocupação da UERJ dos campi Maracanã e São Gonçalo são exemplos a serem seguidos.
As mulheres também aumentaram auto-organização. O enfrentamento contra Eduardo Cunha mostrou o que o machismo não será mais tolerado. A representação feminina na politica só tende aumentar como parte de um fenômeno positivo imposto a realidade.
A luta contra a homofobia avança. As denuncias são mais recorrentes, abrindo espaços para as lutas dos LGBTI’s. A exigência por politicas públicas, a possibilidade de casamento homoafetivo e luta pela identidade de gênero são pautas reais e concretas.
No campo econômico a crise se acentuou trazendo a construção de planos de ajuste mais nocivos à classe trabalhadora. Os cortes nas politicas sociais, nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), na saúde e na educação são consequências desta lógica. As novas regras no financiamento habitacional e Medidas Provisórias 664 e 665[1] e a PL 4330 das terceirizações revelam na pratica o que estamos dizendo. O PT virou algoz do seu próprio discurso. O estelionato eleitoral ficou visível. Caiu ainda mais a mascara para junto com PMDB e PSDB defender retirada de direitos dos trabalhadores.
O escândalo da Petrobras foi mais um ponto a alimentar o caldo de crise politica que o país vive. Nunca vimos antes na história de nosso país se prender tanto politico, chegando ao ápice de Senador de mandato ser preso. Os esquemas de promiscuidade, construído na ditadura militar (que continuou nos governos posteriores) entre as grandes empresas e o Estado começa a ser revelado.
É neste marco que aconteceram as mobilizações de Março, de Agosto e Dezembro contra a Presidente Dilma, bem como os atos organizados pelos seus aliados governistas. Partidários da Frente governista buscam construir uma argumentação cega na defesa de um governo que apodrece, por lado a oposição de direita faz uma “critica seletiva”, ignorando o ataque aos trabalhadores e a corrupção de seus aliados. Um dado para reflexão é que os dois lados foram para ruas e usaram as redes sociais para expressar suas ideias, revelando uma nova forma de se fazer politica.
A desconfiança legitima da população contra um impeachment casuísta de Eduardo Cunha é um dado da realidade que não podemos ignorar. Os índices de rejeição da mandatária do Executivo são altíssimos, demostrando a falta de apoio popular. Por lado o povo pobre e trabalhador não acredita num processo politico encabeçado por um deputado que todo dia se envolve num novo escândalo. Esta simples contradição explica a diminuição do número de pessoas nas ruas.
A crise fiscal dos Estados assola o país. A perda de representatividade desmonta a estrutura de poder em vários níveis. Setores do funcionalismo público foram às ruas para garantir os seus direitos. A greve das universidades públicas no primeiro semestre foi um ponto de combatividade. O funcionalismo gaúcho em outubro mostrou o caminho, quando se colocou contra os ataques do governo de Ivo Sartori (PMDB). A greve dos servidores no Paraná contra o governo de Beto Richa (PSDB) não pode ser esquecida.
Aqui no Rio de Janeiro, o caos já está instalado. A crise na saúde e o parcelamento do 13º salario dos servidores é uma vergonha incomensurável, expondo o descaso do Governador Luiz Fernando Pezão com maioria da população. A tendência é que ocorra uma greve do funcionalismo no primeiro semestre de 2016.
A conjuntura acirrada e velocidade dos fenômenos e nos leva a afirmar que a imprevisibilidade é única certeza que temos na politica brasileira.

Desafios para 2016
Numa conjuntura dinâmica e imprevisível, um dos desafios centrais para o próximo período é unificar os lutadores sociais na construção de um terceiro campo politico social. 
A necessidade de reorganizar dos lutadores é um elemento fundamental pois potencializará novas possibilidades e construção de alternativas. Neste palco todos que queiram lutar por um programa mínimo de ação que seja ancorada na mobilização permanente e que tenha como base a defesa dos direitos dos trabalhadores e da juventude. Queremos construir um polo politico que se oponha a retirada de direitos dos trabalhadores e da juventude.
A Frente Povo Sem Medo, que tem como principal impulsionador o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), é um espaço importante para aglutinar os lutadores, pode se constituir num polo alternativo de reflexão e a ação.
Um segundo aspecto é dar significado classista as lutas sociais que acontecem no país. Fundir o conceito de lutas de classes as demais contradições capitalistas é fundamental para politizarmos os enfrentamentos dando estes um sentido histórico. Unificar as lutas espontâneas e isoladas a um projeto global de sociedade e de luta anti-regime é fundamental.
Apresentar uma saída nacional no quadro de crise institucional de poder independente dos partidos da burguesia e do PT é terceiro desafio que temos. A companheira Luciana Genro apresentou ao debate a proposta, que temos acordo, de eleições gerais em 2016. Longe de ser uma proposta conclusiva, abre o debate na sociedade sobre os rumos do país.
A quarta questão que sinalizamos para 2016 é construção de um polo politico e social também nas eleições. Apresentar candidaturas classistas, antenadas com reivindicações reais dos trabalhadores, é fundamental. A juventude é um polo dinâmico que sempre deve estar representado. Devemos inovar no cenário politico, trazendo candidaturas que debatam luta pelo meio ambiente, a igualdade de gênero, de etnia. Temos que buscar interagir com os movimentos sociais no debate eleitoral.
Devemos ter um programa que radicalize na forma e no conteúdo. A gestão participativa deve ser ponto central de nosso programa. A luta contra a especulação imobiliária e contra o monopólio dos transportes deve ser ponto central nas cidades metropolitanas. A crise da saúde e da educação deve respondida com o aumento de numero de verbas para os setores. A denúncia ao PT, ao PSDB, ao PP e ao PMDB deve ser ponto central de nossas propagandas.
Acreditamos que ano de 2015 foi de muita efervescência para a luta política em nosso país. 2016 tem a certeza que avançaremos ainda mais!!!
Feliz 2016!!! Seguiremos juntos na luta!!!


[1] A medida provisória 664 reduz direitos o prazo para o seguro desemprego, o governo conseguiu maioria no congresso por 252 a 227. Já 665, trata de retirada de direito previdenciários.
 


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Josemar Carvalho, 40 anos, 1º Suplente de Deputado Estadual do PSOL-RJ, professor universitário e da rede pública de ensino. Presidente do Diretório Municipal do PSOL de São Gonçalo- RJ.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Refletir 2014 para avançar em 2015

por Marcio Ornelas

As jornadas de junho e as eleições

As Jornadas de Junho foi um grandioso movimento de massas que ocorreu no Brasil inteiro em 2013. Elas mobilizaram milhões de pessoas e colocaram nas cordas o conforto da elite política que governa o país. Um movimento essencialmente urbano, que começa com o desgaste gerado pelo aumento tarifário dos transportes públicos, mas que se desdobra no questionamento aos péssimos serviços de educação e saúde públicas, assim como no aumento do custo e da insalubridade da vida nas grandes cidades. Ainda que sejam uma expressão do voluntarismo da insatisfação e da revolta acumulada, as jornadas de junho resgataram o debate sobre o direito à cidade, tal como evidenciaram as consequências mais nocivas da produção capitalista do espaço.

Nesse ponto é necessário fazer uma distinção importante. O direito à cidade não é simplesmente a luta pelo acesso aos equipamentos urbanos, advindos dessa produção capitalista do espaço. Na concepção lefebvreviana (e também marxista), o direito à cidade é o direito à produção do espaço. É pensar a cidade coletivamente e inverter essa lógica onde poucos decidem os rumos do urbano, é a inclusão dos excluídos em todas as etapas. Portanto, é muito significativo para a conjuntura que tenhamos milhões de pessoas tomando as ruas, exigindo maior participação na política e também denunciando as mazelas da vida urbana. Ainda que toda essa onda de indignação não tenha se desdobrado numa alternativa política que se proponha a disputar o poder e efetivar as mudanças cobradas, devemos encarar as jornadas de junho como o início promissor de um processo que já culmina na elevação do nível de consciência da população.

sábado, 8 de março de 2014

Mais um round da luta de classes

por Prof. Josemar Carvalho &
Marcio Ornelas

Ato dos garis do dia 07/03/2014
Nos últimos meses temos acompanhado mobilizações de diversos setores da classe trabalhadora organizada, contrariando os ideólogos da burguesia, a luta de classes permanece atual e mais viva do que nunca. Vimos no ano passado a forte greve dos professores no Rio de Janeiro. Já no início de 2014 uma série de outras lutas seguiram, com destaque particular aos rodoviários de Porto Alegre e aos trabalhadores do COMPERJ. Agora, a histórica greve dos garis é a consolidação definitiva de que vivemos novos tempos.

Obviamente, não conseguiremos compreender essas lutas se não considerarmos o papel decisivo das jornadas de junho. Em 2013, milhões de pessoas tomaram as ruas do país para exigir inúmeras pautas que melhorariam muito a vida da população. A insatisfação popular dava a tônica do processo, não havia uma saída política clara ao movimento, mas a manifestação da negação ao que estava posto, já representava um avanço significativo em relação a tudo que vivenciamos nesses anos de democracia. Colocar a população no calor das lutas, impor uma derrota à política tradicional e provar a força da mobilização, são aprendizados que fazem o nível de consciência da população dar saltos.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Lições de 2013 e as tarefas para 2014: Uma leitura de esquerda para as mobilizações que acontecem em nosso país e em São Gonçalo!

Prof. Josemar Carvalho &
Marcio Ornelas

O ano de 2013 foi um marco na história do país. Milhões de pessoas tomaram as ruas para protestar por melhores condições de vida. Aqui em São Gonçalo não foi diferente, tivemos um recorde na participação popular durante e impusemos uma importante derrota ao governo.

Neste inicio de 2014, já estamos sentindo os “sintomas positivos” que a disposição para lutar aumentou. Contrariando assim, a máxima de que “o ano só começa depois do carnaval”.

Neste breve texto, analisaremos as consequências das jornadas de junho, mobilizações que sacudiram o país em meados do ano passado; e as perspectivas de novas mobilizações para o ano de 2014.

Tomaremos como ponto de partida para a reflexão: as mobilizações que acontecem no país e suas influências sobre a cidade de São Gonçalo.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Necessidade do Fora Cabral

por Marcio Ornelas

As jornadas de junho mudaram o Brasil, a onda de mobilizações que tomou conta do país foi espetacular, contagiante e vitoriosa. Mas se enganam os que pensam que a maior expressão da conquista das massas, reside na redução nacional do preço da passagem. O processo de sair de uma pauta específica e fazer uma transição até o questionamento político, é algo infinitamente mais importante. Nesse ponto, o Rio de Janeiro é o local mais avançado, o “Fora Cabral” hoje é o centro dos protestos, e a consigna ganha as ruas cada vez com mais força.

Existe uma máxima na esquerda, que é verdadeira, de que em momentos de intensa mobilização, a consciência da população avança em 1 mês o que não avançaria em 10 anos. E junho não nos deixa mentir. A política virou um assunto recorrente do cotidiano, sendo discutida em bares, padarias, restaurantes ou qualquer outro lugar. E apesar da importância inegável que tem para o trabalhador a redução da tarifa nos transportes, aprendeu-se no processo de lutas, que as mazelas sociais ao qual somos submetidos não é um descuido qualquer, mas algo que está diretamente ligado a uma política que não tem como centro a resolução desses problemas. Isso explica (em parte) a queda de popularidade de todos os governos. A população do Rio de Janeiro conseguiu conquistas objetivas, mas ao olhar para o governador Sérgio Cabral, ela consegue enxergar a raiz dos seus problemas, ainda que a totalidade das injustiças não pertença a um governo, avançar para esse questionamento direto pode contribuir para implicar uma contestação mais ampla e profunda: a de um regime político, por exemplo. E tal como São Paulo foi fundamental para espalhar as jornadas de junho pelo país, dando provas da força que a população tem, o Rio de Janeiro pode apontar um caminho e ser decisivo para espalhar a luta política pelo país. Nesse sentido o “Fora Cabral” não só é uma necessidade, como uma possibilidade real.