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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

RIO DE JANEIRO: UM ESTADO SAQUEADO

Picciani e sua família na mira da Policia
Neste 15 de novembro o Rio de Janeiro é a expressão mais acabada do tipo de República que somos. A res publica - ou seja, a coisa pública - no Brasil está privatizada pela corrupção e pelos grandes grupos econômicos que comandam o país.
A Operação Cadeia Velha demonstra mais uma vez que o Rio de Janeiro é um Estado saqueado pela quadrilha do PMDB em conluio com grandes empresários. Isso explica a situação dramática vivida pelos servidores públicos e pelo povo que recebe serviços absolutamente precários.
Um braço da quadrilha do PMDB carioca, aquele liderado por Cabral e Cunha, já foi desmantelado pela Lava Jato. Eles estão devidamente presos. Agora falta uma outra ala, comandada pela família Picciani, que começa a ser atingida em cheio pelas investigações com a revelação de que os empresários dos transportes pagaram até R$ 500 milhões em propinas a estes políticos.
Jorge Picciani comanda a Assembleia Legislativa do Rio pela sexta vez. Seu filho, Leonardo Picciani, é ministro do Esporte de Temer e liderou uma ala do PMDB interessada em permanecer com o PT. Essa quadrilha não tem escrúpulos.
Agora o único filho adulto de Picciani sem foro privilegiado está preso. É acusado de manter uma empresa de fachada para lavar dinheiro ao esquema. O Tribunal de Contas, com cinco de seus sete membros presos, também está metido no escândalo.



Luciana Genro, 46 anos, é advogada, foi deputada estadual (1995-2003), deputado federal (2003-2011). Foi candidata a Presidenta da República em 2014 pelo PSOL e Pré-candidata ao mesmo cargo para as eleições de 2018.



Este breve artigo foi reproduzido da fan-page da autora na presente data: https://www.facebook.com/LucianaGenroPSOL/

terça-feira, 13 de junho de 2017

O PLANO ESPÚRIO DE SOBREVIVÊNCIA DE TEMER!

Deputado Federal Chico Alencar
O PMDB é escolado em poder, do qual vive. Por isso o governo Temer tem um projeto imediato: sobreviver, se autoproteger, e eliminar tudo o que pode atrapalhar sua permanência nos Palácios do Planalto, Jaburu e na Esplanada dos Ministérios.
As sujeiras em todos esses espaços não cessam de aparecer.Empresa de negócios público-privados, o PMDB, à luz do sol, faz a política do “mercado total”, prometendo entregar já as mal chamadas “reformas para atrair investimentos” (tradução: retirada de direitos, leniência com a corrupção estrutural e louvor ao lucro como único valor).
Nas sombras, opera para cumprir o objetivo de “estancar a sangria” da Lava Jato e de qualquer investigação que exponha  os crimes de colarinho branco.
A vitória no TSE, onde um processo foi rejeitado por excesso de provas (!), deu a senha para a “fuga para a frente” que se aprofundará agora:
1) constranger o relator da Lava Jato, o ministro Fachin, para o que não se descarta sequer o uso da ABIN para fazer espionagem, a la ditadura;
2) desqualificar Janot, o Procurador Geral da República, até o fim de seu mandato, em setembro, quando se colocará na PGR alguém “inofensivo”;
3) mudar a cúpula da PF e controlar suas atividades, em benefício do governo e seus aliados;
4) pressão sobre empresas que fizeram delação premiada, não por amor à ética e à transparência, mas como vingança e desestímulo a outras que possam querer colaborar com a Justiça, revelando seus esquemas corruptos.
Esse plano sinistro terá, por parte do PSOL, a mais firme postura de denúncia, combate e rejeição. Em palavras, iniciativas  e votos. Mas só o repúdio organizado da população nos dará forças  para a luta no Congresso Nacional.
Fora Temer, não ao seu plano sinistro, Diretas Já!
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Originalmente publicado no Facebook  no perfil do autor em 11 de Junho de 2017
Francisco Rodrigues de Alencar Filho, conhecido como Chico Alencar, 67 anos, é professor de história e deputado federal pelo PSOL-RJ. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Lava Jato e o desafio da esquerda!


O texto que segue abaixo foi publicado originalmente no dia 24 de novembro no Facebook pelo seu autor, o companheiro Roberto Robaina(*), e amplamente difundido nas redes sociais. Com redação simples expressa uma posição distinta da maioria da esquerda brasileira.
Prenuncia fatos e eventos que se mostraram verdadeiros na sequência. Quando o foi escrito não havia a delação do lobista Claudio Mello Filho da Odebrecht, o que revela ainda mais a acertiva do texto.
Aqui em São Gonçalo, o texto teve grande repercussão nas mídias sociais. Um blog de grande circulação no município fez uma breve noticia e incluiu suas posições. Vários ativistas dos movimentos sociais, independente de coloração partidária, reproduziram a rápida brochura.
A maioria da militância do PSOL São Gonçalo possui afinidade com as posições do texto, inclusive na ultima plenária do partido no município no último dia 27 de novembro, esta foi a posição da maioria dos presentes no evento.
Reproduzimos o texto, como parte do debate que a esquerda precisa fazer sobre o período.


 Lava Jato e o desafio da esquerda!

A Lava Jato é uma operação dirigida por uma força tarefa do poder judiciário. Num estado burguês e oligarca, é lógico que o poder judiciário tem este mesmo caráter e reproduz e amplia esta natureza. Mas o estado burguês não é sempre igual. E as forças no seu interior tampouco.
Desde 1988, com redemocratização, ganhou fôlego a renovação dos juízes e entrou em cena a maior capacidade investigativa do Ministério Público. E a luta de classes também incide. Foi em 2013, por exemplo, na esteira do levante juvenil e popular, que se estabeleceu o instituto da Delação Premiada. Foi um mecanismo útil. Sem este instituto, não seria possível que grandes capitalistas como Marcelo Odebrecht fossem parar atrás das grades. Nem muito menos que a máfia do PMDB do Rio de Janeiro tenha sido duramente golpeada, com o ex-governador Cabral recolhido no presídio em Bangu.
É claro que a mídia e as forças políticas burguesas sempre tentaram explorar a Lava Jato para enfraquecer e derrotar apenas ao PT, depois que decidiram se livrar do partido de Lula. Mas não é menos claro que a Lava Jato não foi parada. A prisão de Cabral e o pânico do Congresso Nacional com a Delação da Odebrecht provam isso. E o mais incrível é que a operação seguiu não apenas enfrentando o boicote do governo Temer e da maioria esmagadora do Congresso Nacional, mas também com boa parte das forças que se reivindicam da esquerda socialista fazendo propaganda contra a Lava Jato.
Em suma, trabalhando na prática contra a continuidade da operação. Se apóiam no fato certo e obvio para quem é marxista: o poder judiciário num estado burguês cumpre um papel reacionário e não pode oferecer uma saída progressista para a crise nacional. E o óbvio precisa ser dito. Esquecem porém que nem tudo é branco e preto apenas.
Basta ver que um dos mais ativos militantes contra a Lava Jato é o todo poderoso Ministro Gilmar Mendes. De que lado esta os setores mais oligarcas e reacionários do Judiciário brasileiro? O fim da Lava Jato é uma demanda do governo Temer para estabilizar sua dominação.
A esquerda que está contra a Lava Jato apenas enfia a cabeça na impotência. Neste vazio é que cresce uma extrema direita. Esta sim quer liquidar os espaços democráticos e usa a Lava Jato para estimular a ideia de que todos são iguais e que a saída é a força moral que eles dizem representar.
A melhor resposta que a nova esquerda deve dar é a defesa da Lava Jato até o final. Até esta extrema direita seria desmascarada. É claro que não nos iludimos que a força tarefa tenha capacidade de fazer o que deve ser feito. Mas o que não pode é aparecer que a esquerda socialista tem o que temer com a investigação até o final ou que não se importa com a corrupção, tão corretamente odiada pelo povo brasileiro.

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Roberto Robaina, 49 anos, vereador eleito por Porto Alegre em 2016, dirigente e fundador do PSOL. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Um balanço de 2015 e os desafios para 2016

por Prof. Josemar Carvalho
  


Todo final de ano, na nossa vida pessoal fazemos reflexões sobre os avanços e as dificuldades que tivemos ao longo do período. Na politica também é assim.
O ano de 2015 é, considerado por muitos, o ano II - pós-jornadas de junho. As mobilizações de junho de 2013 foram um marco na luta politica de nosso país. Abriu um novo cenário onde a hegemonia petista foi superada como principal representação dos movimentos sociais combativos.
As ruas viraram palco de ação de politica. As cores e as formas politicas ganharam novo conteúdo. A crítica passou a ser mais presente no cotidiano popular. A politica a ser mais abordada no dia a dia.
Contrariando aqueles que acreditam numa “ofensiva conservadora”, o ano começou quente. Os trabalhadores iniciaram suas lutas antes mesmo do Carnaval. Os operários do COMPERJ em fevereiro fecharam a Ponte Rio-Niterói num dos atos mais memoráveis da história politica de nosso Estado (foto acima). Os garis, os bancários e o funcionalismo seguiram dando a batuta das lutas sindicais.
A juventude também seguiu seu protagonismo. A ocupação de 230 de escolas  feitas pelos secundaristas de São Paulo contra o projeto do Governador Alckmin (PSDB) que previa  fechamento de unidades escolares, revela que os jovens não estão passivos. A mobilização dos jovens das periferias é outro fato. A ocupação da UERJ dos campi Maracanã e São Gonçalo são exemplos a serem seguidos.
As mulheres também aumentaram auto-organização. O enfrentamento contra Eduardo Cunha mostrou o que o machismo não será mais tolerado. A representação feminina na politica só tende aumentar como parte de um fenômeno positivo imposto a realidade.
A luta contra a homofobia avança. As denuncias são mais recorrentes, abrindo espaços para as lutas dos LGBTI’s. A exigência por politicas públicas, a possibilidade de casamento homoafetivo e luta pela identidade de gênero são pautas reais e concretas.
No campo econômico a crise se acentuou trazendo a construção de planos de ajuste mais nocivos à classe trabalhadora. Os cortes nas politicas sociais, nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), na saúde e na educação são consequências desta lógica. As novas regras no financiamento habitacional e Medidas Provisórias 664 e 665[1] e a PL 4330 das terceirizações revelam na pratica o que estamos dizendo. O PT virou algoz do seu próprio discurso. O estelionato eleitoral ficou visível. Caiu ainda mais a mascara para junto com PMDB e PSDB defender retirada de direitos dos trabalhadores.
O escândalo da Petrobras foi mais um ponto a alimentar o caldo de crise politica que o país vive. Nunca vimos antes na história de nosso país se prender tanto politico, chegando ao ápice de Senador de mandato ser preso. Os esquemas de promiscuidade, construído na ditadura militar (que continuou nos governos posteriores) entre as grandes empresas e o Estado começa a ser revelado.
É neste marco que aconteceram as mobilizações de Março, de Agosto e Dezembro contra a Presidente Dilma, bem como os atos organizados pelos seus aliados governistas. Partidários da Frente governista buscam construir uma argumentação cega na defesa de um governo que apodrece, por lado a oposição de direita faz uma “critica seletiva”, ignorando o ataque aos trabalhadores e a corrupção de seus aliados. Um dado para reflexão é que os dois lados foram para ruas e usaram as redes sociais para expressar suas ideias, revelando uma nova forma de se fazer politica.
A desconfiança legitima da população contra um impeachment casuísta de Eduardo Cunha é um dado da realidade que não podemos ignorar. Os índices de rejeição da mandatária do Executivo são altíssimos, demostrando a falta de apoio popular. Por lado o povo pobre e trabalhador não acredita num processo politico encabeçado por um deputado que todo dia se envolve num novo escândalo. Esta simples contradição explica a diminuição do número de pessoas nas ruas.
A crise fiscal dos Estados assola o país. A perda de representatividade desmonta a estrutura de poder em vários níveis. Setores do funcionalismo público foram às ruas para garantir os seus direitos. A greve das universidades públicas no primeiro semestre foi um ponto de combatividade. O funcionalismo gaúcho em outubro mostrou o caminho, quando se colocou contra os ataques do governo de Ivo Sartori (PMDB). A greve dos servidores no Paraná contra o governo de Beto Richa (PSDB) não pode ser esquecida.
Aqui no Rio de Janeiro, o caos já está instalado. A crise na saúde e o parcelamento do 13º salario dos servidores é uma vergonha incomensurável, expondo o descaso do Governador Luiz Fernando Pezão com maioria da população. A tendência é que ocorra uma greve do funcionalismo no primeiro semestre de 2016.
A conjuntura acirrada e velocidade dos fenômenos e nos leva a afirmar que a imprevisibilidade é única certeza que temos na politica brasileira.

Desafios para 2016
Numa conjuntura dinâmica e imprevisível, um dos desafios centrais para o próximo período é unificar os lutadores sociais na construção de um terceiro campo politico social. 
A necessidade de reorganizar dos lutadores é um elemento fundamental pois potencializará novas possibilidades e construção de alternativas. Neste palco todos que queiram lutar por um programa mínimo de ação que seja ancorada na mobilização permanente e que tenha como base a defesa dos direitos dos trabalhadores e da juventude. Queremos construir um polo politico que se oponha a retirada de direitos dos trabalhadores e da juventude.
A Frente Povo Sem Medo, que tem como principal impulsionador o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), é um espaço importante para aglutinar os lutadores, pode se constituir num polo alternativo de reflexão e a ação.
Um segundo aspecto é dar significado classista as lutas sociais que acontecem no país. Fundir o conceito de lutas de classes as demais contradições capitalistas é fundamental para politizarmos os enfrentamentos dando estes um sentido histórico. Unificar as lutas espontâneas e isoladas a um projeto global de sociedade e de luta anti-regime é fundamental.
Apresentar uma saída nacional no quadro de crise institucional de poder independente dos partidos da burguesia e do PT é terceiro desafio que temos. A companheira Luciana Genro apresentou ao debate a proposta, que temos acordo, de eleições gerais em 2016. Longe de ser uma proposta conclusiva, abre o debate na sociedade sobre os rumos do país.
A quarta questão que sinalizamos para 2016 é construção de um polo politico e social também nas eleições. Apresentar candidaturas classistas, antenadas com reivindicações reais dos trabalhadores, é fundamental. A juventude é um polo dinâmico que sempre deve estar representado. Devemos inovar no cenário politico, trazendo candidaturas que debatam luta pelo meio ambiente, a igualdade de gênero, de etnia. Temos que buscar interagir com os movimentos sociais no debate eleitoral.
Devemos ter um programa que radicalize na forma e no conteúdo. A gestão participativa deve ser ponto central de nosso programa. A luta contra a especulação imobiliária e contra o monopólio dos transportes deve ser ponto central nas cidades metropolitanas. A crise da saúde e da educação deve respondida com o aumento de numero de verbas para os setores. A denúncia ao PT, ao PSDB, ao PP e ao PMDB deve ser ponto central de nossas propagandas.
Acreditamos que ano de 2015 foi de muita efervescência para a luta política em nosso país. 2016 tem a certeza que avançaremos ainda mais!!!
Feliz 2016!!! Seguiremos juntos na luta!!!


[1] A medida provisória 664 reduz direitos o prazo para o seguro desemprego, o governo conseguiu maioria no congresso por 252 a 227. Já 665, trata de retirada de direito previdenciários.
 


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Josemar Carvalho, 40 anos, 1º Suplente de Deputado Estadual do PSOL-RJ, professor universitário e da rede pública de ensino. Presidente do Diretório Municipal do PSOL de São Gonçalo- RJ.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A Greve dos Garis de Niterói e fechamento da Ponte pelos operários do COMPERJ revela que os trabalhadores não querem pagar pela crise!

por Prof. Josemar Carvalho


 O ano de 2015 vem mostrando que vai ser agitado politicamente. Nem passado o carnaval, as mobilizações acontecem e radicalizam cada vez mais.


Vitoriosa passeata dos trabalhadores sobre a Ponte Rio-Niterói
A crise econômica chega cada vez mais ao cotidiano popular. A inflação já se faz sentir no bolso dos trabalhadores. Não precisa ser especialista em economia para saber que o aumento do preço da gasolina está gerando aumento dos preços. O corte de verbas de 22 bilhões do orçamento aumenta ainda mais a percepção popular da crise.


A operação Lava Jato faz por aumentar a crise de representatividade da Presidente Dilma e de seu partido, o PT. O discurso pseudo-esquerdista da eleição da Presidenta vira estelionato eleitoral quando observamos os passos tomados neste novo governo.