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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Denúncia de superfaturamento da Prefeitura de álcool em gel.


A gestão Nanci – Pericar pagou R$ 105 a unidade na compra de 800 frascos de 500 ml cada de álcool em gel. Foram gastos R$ 84 mil do dinheiro público. Na farmácias do município, o mesmo produto pode ser encontrado por cerca de R$ 20.

A compra dos frascos pelo poder municipal foi feita por meio de pregão eletrônico, com dispensa de licitação, e publicada no Diário Oficial do município em 31 de março.

A Prefeitura de São Gonçalo precisa esclarecer esse absurdo a população. Em plena pandemia, com os casos de contaminação aumentando em nossa cidade que sofre com as faltas de medidas, uma séria denúncia aparece.

Que os responsáveis por essa fraude sejam investigados imediatamente.
Vejam a reportagem do RJTV 1ª Edição no site do G1:





segunda-feira, 27 de abril de 2020

O Governo Nanci ataca os profissionais de educação ao invés de combater o COVID-19


Prof. Josemar Carvalho
Prof. Thunai Melo

Já virou senso comum, o descaso da atual gestão Nanci-Pericar com a nossa cidade. O nepotismo, o autoritarismo, a incompetência e falta de perspectiva são marcas de quem a que concorre ao prêmio de pior gestão da história de São Gonçalo. Pois é, no meio da pandemia de Coronavirus (COVID-19) fez mais uma medida autoritária, como iremos relatar.

Ao invés de adotar medidas concretas e efetivas para combater a propagação do vírus na cidade, no dia 24/04 (na sexta feira), o prefeito José Luiz Nanci aplicou uma medida autoritária e irresponsável que ataca os servidores municipais, principalmente os profissionais da educação do município de São Gonçalo, com a suspensão das gratificações, auxílios e adicionais. Em plena crise sanitária e econômica, Nanci adotou uma política alinhada com o governo Bolsonaro, aonde retira os direitos dos trabalhadores, os deixando em condições de precarização.

Nanci, publicou em Diário Oficial a retirada de importantes gratificações como: Dupla Regência, Gratificação por Aula Extra e Gratificação de Exercício em Classes Regulares. Os profissionais da educação continuam atuando na quarentena preparando aulas e auxiliando as comunidades escolares, preparando as atividades para as turmas através das redes sociais e em grupos de whats’s App de acordo com as direções e o Secretaria de Educação. O decreto do prefeito, contribui também para que as famílias e os alunos que já sofrem com a precarização do Ensino à Distância tenham o aprendizado mais deficientes e fiquem sem nenhuma assistência educativa durante a quarentena. Os profissionais da educação assumiram um compromisso com os seus alunos e responsáveis durante a quarentena e seguem as orientações da OMS durante a pandemia. Segundo as informações do SEPE – SG (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação), o FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) continua sendo transferindo para as contas da prefeitura, não comprometendo o orçamento da educação dos profissionais da nossa cidade.

A categoria indignada denuncia a péssima medida do Secretário de Educação, Maurício Nascimento de Almeida e quer saber qual o motivo dos ataques de Nanci aos servidores públicos e em especial aos profissionais da educação que em plena quarentena e isolamento social?

São Gonçalo, é um município com uma população empobrecida e a segunda mais populosa do Estado do RJ, está desassistida com um governo que parece não querer mais governar a cidade e demora para atender as demandas dos trabalhadores da nossa cidade. A população não pode pagar por essa crise. 





Josemar Carvalho, 44 anos, professor universitário e da rede pública de ensino. Coordenador e Educador Popular da Rede Emancipa. Membro do Diretório Nacional e Estadual do PSOL.







*  Thunai Melo,  37 anos, professor de história da rede estadual do Rio de Janeiro e diretor do SEPE São Gonçalo. Ajudou a fundar a Rede Emancipa em  São Gonçalo, onde foi Coordenador das unidades do Porto Novo e do Portão do Rosa.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Governo Nanci-Pericar: um dos piores da história de São Gonçalo

Por Marcio Ornelas



Pericar (Vice) e Nanci(Prefeito) juntos destruindo São Gonçalo

A eleição de 2016 em São Gonçalo, foi um pleito no mínimo curioso. Justamente os dois candidatos que fugiram de todos os debates, que passaram o período da campanha sem apresentar uma única proposta concreta para a cidade, chegaram ao segundo turno. Tal acontecimento nos propiciou um dos momentos mais embaraçosos da história política do município: o trágico debate entre Nanci e Dejorge, organizado pelo G1. Para quem ainda possa ter interesse deixo o link do debate aqui.

Reinou o deserto de ideias, a incapacidade de formulação de frases que fizessem algum sentido e a certeza de que estávamos diante de dois despreparados para o cargo. Seja qual fosse o resultado daquela eleição, São Gonçalo estaria fadada ao atraso e a incompetência por mais 4 anos. Deu Nanci e cá estamos no final de 2019, presenciando um dos piores governos da história de São Gonçalo.


Nepotismo, paralisia e subserviência: algumas características nefastas


Se tivesse que escolher apenas três, provavelmente ficaria com essas do subtítulo. O governo Nanci é marcado pela ausência de comando e de iniciativas reais para enfrentar os sérios problemas da cidade. A sensação que tenho como morador, amplamente compartilhada, é a de que São Gonçalo ficou paralisada no tempo, onde absolutamente nada aconteceu. O prefeito se comporta como um passageiro do próprio governo, assistindo passivamente o deterioramento das condições de vida e dos serviços públicos na cidade. Não dá nem para dizer que fomos profundamente enganados por Nanci, ele foi eleito sem dizer absolutamente nada e assim é o seu governo. Mas é necessário fazermos algumas reflexões para que não repitamos os mesmos erros.

A política gonçalense tem um histórico terrível de casos de prefeitos que empregaram a bel prazer todo o tipo de familiares, na maioria dos casos gente sem qualquer competência para assumir funções importantes na administração pública. Essa é a velha política na sua forma mais amoral, pois ignora o compromisso público com a ética para favorecer seus consanguíneos. Talvez o caso mais emblemático seja a gestão de Aparecida Panisset, governo marcado por escândalos de corrupção, que no fim terminou com ela inelegível e seu irmão preso. Deveria ser compromisso de qualquer candidato ao cargo de prefeito não empregar parentes na sua gestão. Mas a primeira coisa que Nanci fez foi dar a sua esposa poderes imperiais para mandar e desmandar no governo, primeiro criando um cargo fantasia não remunerado e posteriormente rompendo o pudor e fazendo uma nomeação oficial. E a lista não parou por aí, teve genro, mãe do genro, primo, sobrinha e sabe lá mais quem possa ter passado desapercebido. Uma vergonha essa prática e um escárnio com o povo gonçalense.

A paralisia patológica do governo Nanci se combina a um projeto político terrível de sucateamento dos serviços públicos. A situação da educação é uma das questões que mais chama a atenção. Temos uma composição perfeita para o caos, com profissionais mal remunerados, falta de professores nas escolas, falta de merenda e estruturas caindo aos pedaços. A situação das creches públicas no município, já foi alvo de uma série de reportagens, onde crianças se amontoam em condições absolutamente degradantes. No que tange a saúde, é uma fantasia de péssimo gosto dizer que aconteceram avanços significativos. Sugiro que percorram os postos de saúde para a averiguar quanto tempo em média leva para agendar uma consulta, ou quantos efetivamente possuem médicos que atendam com regularidade. Ou que procurem um atendimento no PS e constatem como o povo gonçalense está completamente abandonado. Mas o desastre desse governo não passa impune sem a luta dos trabalhadores, com especial destaque para a greve dos profissionais da educação e a mobilização recorrente dos agentes comunitários de saúde.

Para um governo sem qualquer compromisso com a qualidade da educação, não chega a ser espantoso que também não tenha qualquer preocupação com a cultura. Assim, em três anos de governo, a falta de um projeto que dê viabilidade ao uso do Teatro Municipal, é um sintoma gritante de um governo incompetente e imóvel. Soma-se a isso o desmonte da única biblioteca pública de São Gonçalo e temos uma gestão alheia ao desenvolvimento educacional, cultural e artístico da nossa cidade.

Mas há ainda a subserviência que está no DNA de todos os prefeitos que passaram por São Gonçalo. Uma subserviência aos esquemas da velha política e aos poderosos empresários de ônibus. Nanci escapou de uma investigação (seu governo era acusado de desvio de verbas dos cemitérios municipais), submetendo-se aos desejos da câmara de vereadores. Isso na política gonçalense, está sempre traduzido numa maior quantidade de cargos que um vereador aliado ao governo pode indicar junto a prefeitura. Um círculo vicioso do qual São Gonçalo não consegue se livrar.

O PSOL junto aos trabalhadores do transporte alternativo, acionou a justiça para derrubar a lei que coloca esses trabalhadores em situação de ilegalidade. Conseguimos a vitória, com parecer judicial que apontava uma série de irregularidades no Consórcio São Gonçalo de Transporte. Foi uma vitória legítima da mobilização dessa categoria, que só reivindica o direito de poder trabalhar em paz. Cabia a prefeitura criar um sistema para regularizar o transporte alternativo. Mas o prefeito Nanci não regularizou e ainda colocou o aparato jurídico da prefeitura para recorrer da decisão judical que beneficiava os trabalhadores. Não se pode servir à dois senhores ao mesmo tempo e Nanci mostrou que está mesmo com os empresários de ônibus.


O Vice que queria ser prefeito


Na era de ouro das fake news, não existiu nada mais fake nesses três anos de governo do que a oposição de Ricardo Pericar ao governo Nanci. É patético e até mesmo constrangedor, o vice-prefeito da cidade escolher um local abandonado, com um amontoado de lixo e gravar um vídeo “denunciando” a situação de degradação vigente, como se nada tivesse a ver com isso.

Por esse papel ridículo é que Pericar vira um capítulo a parte nesse texto. Pois abraçou conscientemente uma candidatura vazia de ideias e de projetos, apenas com o intuito pragmático de alcançar o governo. Sua grande parcela de responsabilidade na eleição de Nanci e consequentemente nesse caos que hoje se encontra São Gonçalo, não será esquecida. Mas é pior ainda a postura que adotou depois que o governo teve início, comportando-se como se não fizesse parte da gestão e como se não tivesse responsabilidade sobre nada. O que Pericar fez não é uma oposição séria e responsável, é apenas deslealdade com o companheiro de chapa e puro oportunismo político para minar o prefeito, na tentativa de pavimentar um caminho curto e abjeto para a prefeitura. Se fosse para ser sério, teria renunciado ao cargo que ocupava no primeiro momento que tivesse percebido a tragédia na qual ajudou a colocar São Gonçalo.

Mas só saiu realmente quando foi obrigado pelos vereadores a renunciar para assumir o cargo de deputado federal. É esse sujeito que se movimenta única e exclusivamente para atender as suas aspirações pessoais, que quer se apresentar como uma alternativa política viável para São Gonçalo. Fiquemos atentos, pois nossa cidade já foi refém por muitos anos de políticos aventureiros.


Conclusão


Temos uma tarefa política urgente para o próximo período: derrotar os projetos políticos que querem impor o atraso, a truculência e a velha política para São Gonçalo. Esse projeto se apresenta fundamentalmente na reeleição de Nanci e em Dejorge. Essas são as candidaturas chefes da velha política e representam o deserto de ideias.

Mas as candidaturas que não possuem apreço pela democracia, que optam pela truculência e pela violência como método, que apresentam concepções racistas e machistas de sociedade, também terão vez em São Gonçalo. Ou com um aventureiro ou com o político forasteiro que de repente começou a demonstrar interesse pela nossa cidade.

São Gonçalo e o nosso povo não suportam mais o descaso e oportunismo. Somos uma cidade gigante e com muitas potencialidades, mas que está apequenada nas mãos dessa gente que não possui qualquer compromisso com as demandas reais dos trabalhadores. Os anos de descaso e de abandono, tentam roubar o brio da nossa gente, mas é preciso seguir em frente e encontrar forças para reagir.

Reunir os progressistas que querem debater ideias e projetos para São Gonçalo, nesse momento é fundamental. Construir uma agenda propositiva para ser defendida e que possa ser pauta de luta para melhorias na nossa cidade.

Nesse sentido o PSOL faz questão de saudar uma iniciativa muito interessante que é o Fórum de Dsenvolvimento Sustentável e Resistência Democrática, como um espaço que pode se desenvolver de forma saudável com o objetivo de refletir sobre a cidade e construir um programa que possa ser encabeçado pelos lutadores.

É o momento de uma virada, de um equilíbrio necessário para a disputa política real. Não queremos, ano após ano, estarmos refletindo sobre governos incompetentes e desastrosos como esse de Nanci-Pericar. Queremos estar aprofundando as discussões para melhorar as condições de vida do gonçalense e finalmente andarmos para frente!


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Marcio Ornelas, 30 anos, professor de geografia. Presidente do PSOL São Gonçalo/RJ, Coordenador da Rede Emancipa de Educação Popular. 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Um ano do governo Nanci: omissão, nepotismo e ausência de perspectiva

Por Prof. Josemar Carvalho *


Prefeito José Luiz Nanci
Passado um ano de posse do Prefeito José Luiz Nanci é necessário fazer um balanço do governo municipal. Faremos uma análise lúcida e responsável, mas não eximiremos de criticas, que ao nosso ver são saudáveis para o bom o debate democrático de ideias.

Começaremos pela sua eleição e o contexto eleitoral que o elegeu. Um candidato apático que foi eleito sem nada propor. Na sequência, analisaremos a forma como foi montado o secretariado municipal. Na terceira parte do texto, avaliaremos as primeiras medidas do governo. Na parte “A Nancilândia: o nepotismo como prática de governo”, faremos uma critica a prática pouco republicana que emprega parentes na Prefeitura. Na penúltima parte, analisaremos a subveniência do governo aos empresários de ônibus da cidade; e por último analisaremos, de forma breve, o funcionamento dos serviços públicos durante o governo Nanci.

Nosso texto não tem intenção de ser conclusivo, traz reflexões para evolução de uma política saudável na sociedade gonçalense. Diferente do governo municipal, estamos abertos a críticas e ao debate. Queremos avaliar o governo Nanci no seu conjunto.

Aqui não terão criticas pessoais, faremos reflexões politicas no intuito de ajudar a refletir a nossa cidade.

O cenário eleitoral de 2016: um candidato apático


A conjuntura das eleições de 2016 é marcado por elementos contraditórios da dinâmica política brasileira. A crise econômica começava a dar sinais mais fortes. O Impechment da Presidente Dilma dividia o país ao meio e acirrava o contexto cotidiano político. O desgaste de Neilton Mulim, atualmente preso, dispersava a eleição em várias candidaturas.

O Brasil buscava um caminho. A negação aos políticos da ordem era palavra quase que unânime no cotidiano popular. Renovar era a saída.

A sociedade ainda não enxergava o pacote de maldades que estava por vir. O debate da corrupção sobreponha o da crise econômica. A Lava Jato ainda era bebê que tinha que correr para não morrer no nascedouro.

Nanci foi base do governo Cabral-Pezão,
Nesta foto em dobrada eleitoral com Marco Antônio Cabral
Por lado, São Gonçalo vivia uma das eleições mais ricas em conteúdo e variedade política.  A composição inicial das candidaturas começou em 2015. Candidatos a prefeito de todos os gostos e estilos.

Neste momento, o Deputado Estadual José Luiz Nanci se colocou inicialmente como base de sustentação do governo Pezão na ALERJ. Votou na trágica indicação de Domingos Brazão para Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Chegou a ser Secretário de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida durante os primeiros meses do governo. O alinhamento com a cúpula estadual do PMDB sempre foi visível. Inclusive durante o governo Cabral foi contra a CPI dos Transportes em 2013.

A Reforma Política produzida por Eduardo Cunha inviabilizaram o debate mais concreta na nossa cidade. Regras como de clausula de barreira, impediram aos prefeitáveis do PSOL, do Rede e do PSTU de irem aos debates organizados do G1. A redução do Tempo do Horário Eleitoral e da própria eleição desestimulou ao debate político e propositivo nas eleições. Transformando a eleição apenas no palco midiático, onde a estrutura financeira é determinante ainda mais, um fenômeno que autores chamam de “americanização das eleições”.

Nem Nanci e nem Dejorge foram aos debates organizados pelos movimentos sociais, da qual tive a honra de participar como prefeitável da chapa PSOL-PCB. Porém os dois foram para o segundo turno como consequência das características midiáticas e financeiras que argumentamos no parágrafo anterior.

Se o Brasil fervia, o 2º turno de São Gonçalo foi uma eleição fria, com dois candidatos que mal sabiam se expressar. Os debates não foram sobre os grandes problemas da cidade, mas sim sobre um conjunto de acusações entre os dois pretendentes.

Ao final, Nanci venceu ... sem nada a apresentar!

Da composição do secretariado a posse: a continuação do governo Mulim


Como vimos no ponto anterior, o governo Nanci foi eleito sem propor nada, porque as regras eleitorais da Reforma de Cunha desestimularam o debate. A consigna “Bora Mudar” já foi desmentida no 2º turno, quando parte direta do governo de Neilton Mulim, apoiou a eleição do Médico.

A composição do Secretariado também revelou a face falsa desta mudança: quatro secretários do governo anterior. Sem enumerar os cargos comissionados de segundo e terceiro escalão, bem como o loteamento da Prefeitura.

Na nossa opinião, a maior aberração fica na gestão da saúde municipal, onde o mesmo secretário do governo anterior ocupa uma função estratégica para a cidade. Ora se a mudança era o discurso central da campanha de Nanci, e ele sendo médico, o mínimo que deveria acontecer era a “mudança” começar no setor central que ele profissionalmente domina. Trocar o secretário era o mínimo. Sinalizaria uma mudança de postura. Pelo contrário, manteve a mesmo nome, sem nenhuma meta ou planejamento visando inovar a saúde pública municipal. Em outras palavras continuação do modelo de gestão de Mulim.

Não concordamos com os acordos espúrios e de favorecimento individual. Defendemos abertamente nas eleições de 2016, que a nomeação de secretários municipais deve ocorrer após uma consulta junto a população e usuários do setor. Discordamos do método da barganha política, que só serve para nomear figuras despreparadas e autoritárias para postos chaves de comando.

Estes atos já revelaram que o governo Nanci, antes mesmo de tomar posse, era “mais do mesmo”.

Os primeiros passos do governo em direção dos empresários e contra os servidores e a população


Com poucos dias de governo, a gestão declarou “Estado de Calamidade Pública” na cidade. Medida correta, que para ser consequente, deveria ter como completo uma auditoria nas contas da gestão anterior. Declarou-se uma grande divida no valor astronômico de R$ 600 milhões (segundo o próprio governo), que nunca pode ser mensurada oficialmente. Uma auditoria nas contas de Neilton Mulim, seria uma medida de transparência que preservaria o novo governo.

Ainda nos primeiros dias, o governo Nanci manteve o aumento de aproximadamente 12% nas passagens municipais. Um gesto diretamente voltado para os empresários de ônibus. Enquanto isso o governo anunciava um parcelamento em 8 vezes do salário de Dezembro dos servidores municipais. A carona na crise econômica nacional virou justificativa para ações impopulares na cidade.

Na contramão do discurso, o governo ampliava maquina pública. Nenhuma redução efetiva de cargos comissionados, nenhuma redução dos salários dos secretários e subsecretários para ajustar a máquina pública para crise.

Lisura e transparência pública nenhuma, por lado, a “parentada” começava a participar do governo. Questão que abordaremos no próximo ponto.


A Nancilândia: o nepotismo como prática de governo


A nomeação de parentes num governo/espaço público é uma das práticas mais vergonhosas que a contemporaneidade desvendeu frente aos preceitos medievais. Vivemos no século XXI, onde a transparência é feita via ferramentas eletrônicas. A sociedade exige uma nítida separação entre espaço individual e coletivo, entre o público e o privado. Qualquer prática social arcaica que se aproprie do bem comum de maneira privada é contrassenso.

A corrupção que assola nosso país tem nessas relações promiscuas seu pilar. O desrespeito com o dever público aumenta quando ocorre a nomeação de um parente sem nenhum conteúdo ou preceito técnico. A centralidade de poder e de decisão dada sua esposa na gestão da Prefeitura é no mínimo imoral. Trazer familiares para salários superiores a R$ 30 mil reais é um escândalo, quando o discurso é de contenção de gastos. Enquanto isso, servidores públicos de carreira sofrem com o congelamento de seus salários e perda de gratificações.

Não podemos aceitar este tipo de prática social. A gestão da Prefeitura é política e não familiar. Não pode pertencer a uma família, pertence a sociedade que elegeu o Prefeito e não aos seus parentes. Não é um negócio privado. Se a esposa do Prefeito ou qualquer outro parente compõe o governo, as características éticas de transparência e gestão se desfazem. Um governo não é uma propriedade particular para ser administrado de forma privativa por cima formais da democracia.

Exonerar todos as pessoas com grau de parentescos e similares é fundamental para o respeito republicano de funcionamento da máquina pública.

 O governo dos empresários de ônibus

O aumento das passagens como uma das primeiras medidas do governo revela para quem o prefeito José Luiz Nanci governa. Como afirmamos anteriormente, aumentou as passagens em 2017, enquanto a população e servidores sofriam arrocho salarial.

Outra medida do governo, tão vergonhosa tanto quanto o aumento de passagem, foi a Prefeitura fazer a defesa do interesse dos empresários de ônibus na ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) ganha pelo PSOL, em abril de 2017, contra a exclusividade do Consórcio São Gonçalo de Transporte.

O Sistema de Transporte Urbano de São Gonçalo é centrado no ônibus, através de uma prática de cartel. A lei 425/2012, ainda no governo de Aparecida Panisset colocou de forma equivocada o transporte alternativo na ilegalidade. Chefes de família perderam seu direito ao trabalho e se endividaram.

Não cabia a defesa dos empresários que foi feita pela Prefeitura. Não era necessário legalmente, visto que uma ADIN visa corrigir uma regulamentação equivocada (no caso a Lei 425/2012 que instituiu o Consórcio São Gonçalo de Transportes). Numa ADIN não há reú como nos processos comuns. A própria Prefeitura poderia impetrar a ADIN, visando corrigir uma inconstitucionalidade. Tanto que a Procuradoria e a Câmara Municipal da gestão anterior, chegaram a emitir parecer favorável a ADIN impetrada pelo PSOL. Porém na contramão da decisão da justiça e do anseio da população, o governo do Sr. José Luiz Nanci recorreu a favor dos empresários. Uma vergonha que só revela a submissão aos empresários de ônibus.
Enquanto a prefeitura caminha com empresários de ônibus,
nós defendemos a população
Em 10 de abril, juntos com os trabalhadores
 do Transporte Alternativo

Sempre defendemos o transporte alternativo e a fiscalização sobre as empresas de ônibus que não respeitam o direito da população. Em São Gonçalo, o ônibus noturno (sereno) não é respeitado. O “ônibus de uma porta” tira o direito do portador de deficiência, dos idosos e dos estudantes. A irregularidade do horário tira a qualidade do nosso direito.

Diferente do Prefeito, que sempre foi omisso em questões de mobilidade urbana, defendemos a possibilidade de novos modais na nossa cidade. Estivemos na luta pela Linha 3 (pauta que o Prefeito nunca levantou quando era deputado); apoiamos as lutas pelas Barcas em nossa cidade; e temos orgulho de defender o transporte alternativo.


Aumento abusivos das taxas públicas e a péssima qualidade dos serviços!

O governo Nanci realiza a mesma política que era feito pelos reis autoritários da Idade Média: aumentar de forma abusiva os impostos, sem nenhuma contrapartida para população.
Faremos um balanço dos principais serviços públicos da cidade:

1.       Iluminação pública – Cobrou a taxa de Contribuição da Iluminação Pública, sem trocar uma lâmpada durante o ano. Para piorar em Setembro, o governo tentou aumentar a taxa, fato que revertido em Dezembro, pela forte negativa da opinião pública;

2.       Lixo – A cidade está mergulhada no abandono. O lixo é visível pelas ruas. Nenhuma medida formal é tomada pela prefeitura. Mas seguindo a lógica de arrocho sobre a população o governo Nanci aumentou em 163% a taxa pública de coleta de lixo;

3.       Aumento abusivo do IPTU – Não precisamos nem desenvolver muito, pois a população já está recebendo os carnês e percebendo o aumento abusivo que chega a 500%. Uma vergonha!

4.       Postos de Saúde abandonados – Falta das condições básicas nos Postos de Saúde é uma realidade da qual o “Médico-Prefeito” deveria ter vergonha. O sistema de saúde vai de mal a pior. O loteamento político de cargos na saúde visando ganhar apoio na Câmara é uma vergonha. Por outro lado, os servidores efetivos sofrem ainda mais no governo Nanci pelo achatamento dos salários e pelas péssimas condições de trabalho. Não é nenhum contrassenso lembrar que os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combates de Endemias (ACE) continuam sem regulamentação das suas funções e sem sua incorporação ao Regime Jurídico Único (RJU). Como sempre afirmamos não melhora no serviço, sem melhorar as condições laborais, salariais e motivacionais daqueles que atuam no setor;

5.       Educação – Entendemos que a educação é um pilar central para desenvolvimento social, infelizmente o governo Nanci pensa o contrário. Nenhuma escola foi construída e apresentada para construção neste período. Assim como os governos anteriores, a educação foi entendida como despesa, os seus profissionais (professores e funcionários administrativos) continuam amargando o arrocho e perdas salariais.

Como podemos observar o governo Nanci, busca incessantemente aumentar a receita tributária municipal através de arrocho sobre a população.

Conclusão


Como podemos observar gestão do Dr. José Luís Nanci não perspectiva política. Se elegeu dizendo nada, iniciou o governo sem nada propor e agora resolveu governar contra a população.

A omissão frente os problemas centrais da cidade é uma vergonha. O lixo continua crescendo em nossa cidade. Ruas de diversos bairros estão ficando cada vez mais escuros. Obras para urbanizar as ruas e sanear os bairros são totalmente inexistentes. Os servidores municipais amargam perdas salariais e até agora tiveram 0% de reajuste, com perdas das suas gratificações. A educação e a saúde continuam a não ser prioridades. É um governo sem horizonte estratégico.

O aumento abusivo de taxas, revelam uma visão tecno-burguesa da gestão pública. Não se preocupam com as pessoas, com os menos desfavorecidos, com aqueles que ganham salários baixos. Para piorar, são benevolentes com os empresários de ônibus, quando aumentam a passagem e não o fiscalizam. Reproduzem na prática, uma lógica bem covarde: “Tudo para os ricos e nada para os pobres”.

A exoneração dos parentes do Dr. José Luís Nanci seria um bom começo para o governo, reaver a sua credibilidade junto a população. Mas só isso não basta, é preciso mudar a lógica tecnocrática burguesa que desprivilegia os servidores e a maioria da população. É preciso romper com o Consórcio São Gonçalo de Transportes e não aceitar os desmandos dos empresários de ônibus. É preciso investir profissionalmente e valorizar os servidores públicos municipais, em especial os de saúde e de educação. É preciso fazer com que os serviços públicos funcionem com qualidade e parar com a política fiscal antipopular que aumenta das taxas e impostos.

São Gonçalo é 16ª cidade mais populoso do Brasil, tem mais de um milhão de habitantes. Não pode ser tratada como quintal domiciliar, “brinquedinho” ou objeto de estimação de uma família. É preciso pensar grande, ser altivo, ter personalidade social e respeitar as pessoas.

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Josemar Carvalho, 42 anos, 1º Suplente de Deputado Estadual do PSOL-RJ, professor universitário e da rede pública de ensino. Presidente do Diretório Municipal do PSOL de São Gonçalo- RJ. Coordenador e Educador Popular da Rede Emancipa.



terça-feira, 11 de outubro de 2016

2° turno: nenhuma confiança em Nanci e nem Dejorge!



O PSOL esteve ao longo desse processo eleitoral em cada canto da cidade, apresentando para a população o programa “São Gonçalo precisa de uma revolução!” que foi debatido e construído coletivamente. Defendemos um projeto de cidade que passe fundamentalmente pela ampliação da democracia, pela participação popular e pela ampliação dos direitos dos trabalhadores. 

Foi uma honra apresentar a candidatura do Prof. Josemar a Prefeitura de São Gonçalo e nossa chapa de vereadores, juntamente com os companheiros do PCB. Nossa militância  aguerrida, deu exemplos de obstinação e se revelou incansável na construção do nosso projeto.

Temos orgulho dos nossos candidatos e da nossa forma de fazer política. Apresentamos propostas claras e efetivas. Não recebemos dinheiro de empresas de ônibus e nem de empreiteiras. Fizemos uma campanha limpa e ética. Dura e firme nos posicionamentos ideológicos e políticos. Não participamos do “toma lá dá cá” da política.

Para mudar a cara de São Gonçalo não cabem meias palavras, é preciso contrariar os interesses dos empresários de ônibus que comandam o transporte na cidade, é preciso cortar as indicações políticas em postos de saúde, escolas e demais repartições públicas, é preciso valorizar o servidor e garantir condições dignas de trabalho. Em resumo: é preciso uma nova forma de governar, longe desses velhos caciques da política gonçalense e com autonomia política para cortar a sangria dos cofres do nosso município.

O resultado do 1° turno colocou o deputado estadual Dr. José Luiz Nanci (PPS-SD-PSL) e o Vereador Dejorge Patricio (PRB-PMN-PRTB), praticamente empatados, no segundo turno. Dois candidatos que fugiram da maioria dos debates aos quais foram convidados, que se furtaram durante o processo eleitoral de apresentar de forma mais nítida suas ideias. O grande arco de alianças que se forma em torno das duas candidaturas no segundo turno, revela a tônica da política gonçalense: um grande balcão de negócios, onde cada voto conquistado é elemento de barganha para cargos na prefeitura.

Não existem nesses acordos qualquer preocupação pragmática. A politica de assistência social de nossa cidade, as secretarias de educação e de saúde, ou qualquer outro cargo não podem virar moeda de troca. Quem entrou neste jogo de barganha, vendeu a dignidade e a confiança de quem depositou o voto em sua candidatura. Está na verdade, ajudando a vender a ilusões.

Nenhum dos dois candidatos deste segundo turno apresentou elementos centrais pelo qual lutamos. Ambos foram omissos em relação a luta contra o “cartel” chamado Consórcio São Gonçalo de Transportes que controla o transporte público da nossa cidade. A regularização do transporte alternativo foi um dos pontos pautas que os dois se esquivaram. A eleição direta para diretores de escolas e postos de saúde também foi um ponto ignorado. Mecanismos efetivos de combate a corrupção também não foram apresentados. A transformação dos Agentes Comunitários de Saúde em servidores do Regime Juridico Único(RJU) nem sequer foi ventilada por ambos. O aumento salarial para os servidores públicos municipais não foram abordados nem pelo candidato do PPS e nem pelo candidato do PRB.

Ambos têm experiência efetiva em participar de governos desastrosos. O deputado estadual José Luis Nanci participou do governo Charles e foi secretario estadual do atual governo Pezão/Dorneles. Governo que atrasou salários de servidores e destrói o nosso Estado. Dejorge Patrício foi secretário municipal de Parques e Jardins do governo Mulim. Quando vereador não fez um discurso na tribuna questionando os equívocos da Prefeitura e não apresentou um projeto para a cidade. Ignoram a parte podre de seus currículos para entrar no festival de mentiras sobre a população.

Portanto, não há qualquer possibilidade do PSOL apoiar qualquer uma dessas duas candidaturas. Temos plena consciência de que tanto Nanci quanto Dejorge, representam o atraso para nosso município, um novo ciclo de acomodação dos aliados políticos, de aparelhamento da máquina pública e o sucateamento dos serviços públicos. Seus partidos, no plano nacional (o PPS e o PRB), mobilizaram suas bancadas para defender com unhas e dentes o ajuste fiscal e garantir a retirada de direitos dos trabalhadores. Seus projetos não comungam em nada com o nosso, havendo total incompatibilidade de entendimento sobre como deve ser a política em São Gonçalo.

Não vamos emprestar nosso capital político, a garra da nossa militância, para apontar uma saída “menos pior” para São Gonçalo, ignorando de maneira acrítica quem lhe dá sustentação. Como sempre dissemos não queremos trocar seis por meia dúzia.

Vamos falar a verdade para a população, que nem Nanci e nem Dejorge, vão governar para os interesses do povo. Que são reféns dessa velha política ao qual estão cercados para tentar ganhar a eleição. Nós do PSOL, temos muitos anos na luta e temos responsabilidade com tudo o que acumulamos até aqui.

Vamos seguir debatendo com a população a necessidade da ampliação desse programa popular e democrático, que pode dar efetivamente outra cara ao município. Não aceitamos a discriminação, a intolerância religiosa e  a retirada de direitos que novamente se avizinha como resultado desse 1° turno. Fazemos um chamado honesto para os movimentos sociais, sindicais, entidades, partidos políticos de esquerda, para construirmos um polo de resistência que enfrente os retrocessos que virão seja com Nanci ou com Dejorge e que lute pelas pautas históricas dos trabalhadores.
  

São Gonçalo, 11 de outubro de 2016.