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domingo, 6 de abril de 2014

A greve dos ACS revela o descaso do governo de Mulin com Saúde Pública

por André Tamandaré &
Prof. Josemar Carvalho

Mobilização do ACS no dia 04 de abril
Desde as jornadas de junho de 2013, o Brasil entrou no cenário de efervescência política. As mobilizações estão demonstrando que a população não aceita passivamente o descaso.

Aqui em São Gonçalo não é diferente, na última semana, tivemos duas greves que tomaram as ruas de São Gonçalo: a dos Profissionais de Educação e a dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS).

Neste texto, analisaremos as condições que levaram a greve dos agentes comunitários, bem como o descaso do governo de Neilton Mulim com a saúde pública de São Gonçalo.

A importância social do Agente Comunitário de Saúde 
e as condições que levaram à greve

Prof. Josemar ao lado
de Francisco Villela Presidente do SINACS
no ato
Os Agentes Comunitários de Saúde são a porta de entrada dos menos favorecidos às esferas do SUS. Exames, consultas, medicações, acompanhamento familiar e orientação à saúde são algumas tarefas cotidianas dos ACS’s.

Numa cidade com uma saúde pública precária, os agentes comunitários de saúde tem importância estratégica no combate a epidemias e vetores que podem se propagar. Infelizmente, a gestão de Mulim, assim como os dois mandatos anteriores de Aparecida Panisset, tratam com descaso estes trabalhadores.

As condições dos postos de saúde são muito precárias. A falta de médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e medicamentos, revelam o descaso do poder público municipal. Cabe destacar que por incompetência da Secretaria Municipal de Saúde, o Programa Saúde da Família não cobre toda a cidade.

Os Agentes Comunitários de Saúde são desvalorizados pela Prefeitura. Exemplos do descaso não faltam. Baixo salário incompatível com as portarias do Ministério da Saúde é uma triste realidade. A falta de compromisso da gestão na realização dos recolhimentos das custas sociais, é uma vergonha para um governo que se diz republicano. O atraso do FGTS, do INSS e inclusive na falta de informação da RAIZ coloca os trabalhadores numa situação desconfortável.

O loteamento de Postos de Saúde para parlamentares da cidade, em troca de apoio político nos projetos que pouco beneficiam a população, também é uma vergonha da gestão de Neilton Mulim. Isto leva a uma má gestão, também produz o assédio moral nos postos de saúde.

Enquanto isto, o governo de Neilton Mulin gasta R$ 500 mil em 740 placas de bronze

Charge retirada do jornal Extra 27/03/2014
 - denunciando as placas de Mulim
Em meio a crise de gestão que passa a cidade de São Gonçalo, com forte questionamentos devido ao aumento das passagens, a falta de obras nas comunidades e a ausência de perspectiva de reajuste salarial, o governo de Mulim compra 740 placas de bronze para inauguração de postos de saúde.

Até onde sabemos não existem nem 5 postos de saúde sendo construídos na cidade, que hoje tem 67. Para onde vão as placas?

Uma observação bem pertinente: para utilizar todas as 740 placas seria necessário inaugurar uma unidade a cada três dias por mais de um ano.

A greve dos Agentes Comunitários de Saúde é emergente no sentido de chamar a população e os outros seguimentos para uma luta em que no fim, a conquista será coletiva como deve ser. 

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Josemar Carvalho, 38 anos, professor universitário e da rede pública de ensino. Presidente do Diretório Municipal do PSOL de São Gonçalo- RJ.

André Tamandaré de Lima, 35 anos, Agente Comunitário de Saúde. Diretor de Comunicação do Sindicato dos Agentes Comunitários do Estado do Rio de Janeiro - SINACS - RJ.