quarta-feira, 16 de março de 2022

Sessão solene organizada pelo mandato do Prof. Josemar homenageia mulheres negras de São Gonçalo

Na manhã dessa quarta-feira (16/03), foi realizada na Câmara Municipal de São Gonçalo, uma sessão solene para a entrega do Título de Mérito Marielle Franco de Direitos Humanos para diversas mulheres negras de São Gonçalo.

A atividade foi organizada pelo mandato do vereador Prof. Josemar (PSOL) em parceria com o Fórum de Mulheres Negras de São Gonçalo. Ao todo foram homenageadas mais de 30 mulheres com atuação reconhecida no município, que compartilham belíssimas histórias de luta e de resistência.

A atividade aconteceu na semana em completam 4 anos que vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados. Um crime que continua sem respostas.

Ao final da sessão solene Prof. Josemar falou sobre a importância reconhecer a luta das mulheres negras.

"Essas mulheres têm em comum a história de luta, de resistência e a atuação incansável para fazer dessa nossa sociedade um lugar melhor. Elas passaram por muitas coisas e não desistiram. E estão aqui falando conosco que nós não temos o direito de desistir. O meu mandato vai ser sempre um instrumento para impulsionar a luta dessas mulheres negras." - disse o vereador do PSOL.

Foi a primeira vez que na atual legislatura Título de Mérito Marielle Franco de Direitos Humanos foi concedido.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

O rastro de violência do racismo

por Marcio Ornelas

Há certas situações que são absolutamente inconcebíveis na sociedade em que vivemos. Proponha-se ao exercício de imaginar a seguinte cena: um homem branco, se aproxima do portão de sua casa e abre a mochila para procurar suas chaves. A atitude gera suspeição no vizinho, que deduz tratar-se de um bandido. Com isso efetua 3 disparos com uma pistola e mata o suspeito. Conseguem imaginar tal cena acontecendo com um homem branco?

Difícil imaginar. Pois o que gera a suspeição não é o gesto de abrir uma mochila, andar mais lentamente ou apressadamente. A suspeição é ao fim e ao cabo uma questão racial, tão dramática e profunda no nosso mais, que até mesmo o ato mais severo possível que é o de retirar uma vida, vira uma questão corriqueira e até mesmo justificável.

Nas exatas circunstancias descritas acima, morreu Durval Teófilo Filho. Homem negro, trabalhador, pai de família e morador de São Gonçalo. Durval trocou uma comunidade por uma residência num condomínio, almejando justamente maior segurança para si e para sua família. Mas a violência é uma perseguidora implacável nessa sociedade para qualquer pessoa da raça de Durval. Durval não poderia imaginar que não há condomínio, ou bairro, ou cidade, ou estado, que te garanta proteção contra o racismo no nosso país. Nem mesmo posição social.

Isso por que o racismo é um elemento tão fundamentalmente estruturante do capitalismo brasileiro, usado por centenas de anos como elemento de diferenciação social, dolorosamente construído em somatórias vergonhosas de vidas negras, num rastro de violência que se aprofunda até hoje e segue se ressignificando. Cada vez com um discurso e uma simbologia diferente. O capitalismo brasileiro sem racismo não existiria e não seria essa máquina brilhante de exploração.

Em nome do PSOL São Gonçalo, presto toda minha solidariedade aos familiares e amigos da vítima, nesse momento de indignante dor. Mas prestamos também o nosso empenho e compromisso na luta por justiça. Para que não varram para baixo do tapete as reais motivações desse crime: o racismo.

Marcio Ornelas, 32 anos, professor de geografia. Presidente do PSOL São Gonçalo e coordenador da Rede Emancipa de Educação Popular.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

MuseUmbanda em São Gonçalo: reencontro com a história e luta contra a intolerância religiosa

por Prof. Josemar

A cidade de São Gonçalo, em 15 de novembro de 1908, foi o ponto de anunciação da Umbanda na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, localizada na Rua Floriano Peixoto, no bairro de Neves. A incorporação do Caboclo das Setes Encruzilhadas foi mediunizada por Zélio de Moraes.

A Umbanda é uma religião brasileira, baseada no sincretismo social que envolve as religiões africanas, as crenças indígenas e o catolicismo baseado na tradição europeia. Mesmo com as perseguições no Estado Novo, baseadas no racismo religioso, as Casas de Umbanda se disseminaram pelo tecido urbano nacional, onde registram-se centenas de casas nos anos 1950. Hoje também é internacional, com diversos matizes e ramificações.

O refluxo iniciou-se na década de 1980, em sintonia com o crescimento das seitas fundamentalistas neopentecostais. Essas se desenvolveram na esteira da crise metropolitana das últimas décadas, ocupando o espaço dos terreiros nas periferias. Aprofunda-se o pensamento “demonizante” da Umbanda e das casas de Candomblé.

A história é pouco difundida, logo pouco reivindicada. Eu mesmo, quando criança, estudei no Colégio Santos Dias, que se localiza em frente à casa onde a Umbanda foi fundada. Nunca me falaram na escola sobre a importância histórica do imóvel que estava a 10 metros. 

Apresentar a história é também fortalecer a memória de resistência popular e cultural.

BERÇO DA UMBANDA

No dia 2 de outubro de 2021 foi inaugurado o MuseUmbanda, uma associação da sociedade civil. A iniciativa visa à construção de um museu, que tem como objetivo o resgate de memória da Umbanda e a luta contra a intolerância religiosa.

Leu-se o estatuto. Expôs a história da religião que teve sua anunciação em São Gonçalo. Discutiu-se sobre os objetivos do MuseUmbanda. Reafirmou-se os pressupostos da luta pelo Estado laico. Apresentou-se o projeto de construção do Museu com uma estrutura física, cinco exposições permanentes. Por último, elegeu-se a diretoria fundacional, a ser presidida por Pai Fernando de D’Oxum.

A iniciativa contou com a participação de pesquisadores, parlamentares, ativistas do Movimento Negro e líderes de religiões de matrizes africanas. Um evento importante foi realizado na Tenda Espírita São Lázaro, no bairro de Santa Catarina, na cidade de São Gonçalo.

A LUTA CONTRA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA: É UMA NECESSIDADE

O avanço da intolerância religiosa é produto de uma crise social. Tem no seu pilar central o conservadorismo social burguês racista, que se instrumentaliza e é potencializado por representantes públicos no cenário político e social.

A demonização, a radicalização irracional, os ataques aos terreiros de religiões de matrizes africanas, discursos de ódio e elitismo social-racial são as partes visíveis e violentas deste projeto de poder que colabora efetivamente para o projeto de extrema direita instalado no Brasil.

O MuseUmbanda tem como cláusula pétrea a luta contra a intolerância religiosa e a defesa do Estado laico. Está no seu horizonte a construção de trabalho de conscientização cotidiana. A luta contra o preconceito é parte intrínseca da sua existência enquanto Museu.

Lutar contra a intolerância religiosa deve fazer da nossa estratégia rumo à construção de uma sociedade sem explorados, sem exploradores, sem oprimidos e sem opressores. Livre de preconceitos e de autoritarismos.

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Prof. Josemar é vereador do PSOL em São Gonçalo/RJ.

Obs: Esse texto foi originalmente publicado na cartilha dos povos de terreiro produzida pelo mandato da Deputada Estadual Luciana Genro.



quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

São Gonçalo vai vacinar as nossas crianças contra COVID-19 ou não?

por Marcio Ornelas

A Ômicron não é uma questão de disputa narrativa ou ideológica, ela é um fato concreto que fez o mundo quebrar o recorde do número de casos, passando de 3 milhões nas últimas 24h. É a variante mais transmissível que tivemos contato até o momento e consequentemente a que mais tem potencial para colapsar os sistemas de saúde. No Brasil a presença da Ômicron também já é perceptível, com 73.617 casos nas últimas 24h, isso significa um aumento de 631% na média comparado com duas semanas atrás. Esses são números incontestes que indicam que o Brasil está iniciando a sua jornada pela nova variante.

Mas há uma situação que nos dá esperança: a vacinação que ultrapassa 75% da população, mostra que o Brasil com sua cultura vacinal consolidada está pronto para se proteger da melhor forma possível contra essa variante. Apesar de toda a propaganda negacionista promovida pelo governo Bolsonaro, a ampla maioria da população optou pela ciência e escolheu se vacinar.

Mas a realidade é que a nova variante está expondo atualmente um novo grupo que nunca esteve integrado ao programa de vacinação: as crianças de 5 a 11 anos de idade. Essa é uma situação nova, pois as primeiras versões do vírus eram praticamente inofensivas para essa faixa etária, mas isso aparentemente vem mudando com as mutações. Reproduzo na íntegra um dado presente no site do médico Dráuzio Varella:

"A covid está entre as dez principais causas de óbito dos 5 aos 11 anos e já tirou mais vidas do que a somatória de todas as mortes provocadas por doenças da infância para as quais existem vacinas."

Isso é verdadeiramente alarmante. Pois as nossas crianças estão inegavelmente adoecendo e morrendo, para uma doença que já existe vacina. Então se faz necessário rapidamente, como tem feito o mundo todo, incluir essa faixa etária no grupo da vacinação. A segurança da vacina para crianças nessa idade já foi atestada por mais de uma dezena de estudos. Nossos vizinhos Rio de Janeiro e Niterói já anunciaram um calendário com todos os detalhes do cronograma da vacinação. Em são Gonçalo paira o silêncio.

Sabemos que as pressões da direita na nossa cidade se movimentam de maneira escusa e voraz, mas não podemos permitir que a covardia do governo Nelson em enfrentar o negacionismo da sua base aliada custe a vida das nossas crianças. Por isso exigimos imediatamente a apresentação de um cronograma de vacinação para as crianças gonçalenses!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Contra a cassação do mandato de Prof. Josemar! Não aceitaremos perseguição política!


Na última sessão (15/12) da Câmara Municipal de São Gonçalo, durante a abertura dos trabalhos, fomos surpreendidos com a leitura de uma representação contra os vereadores Prof. Josemar (PSOL) e Romário Régis (PCdoB), que os colocariam sob judice na Comissão de Ética. Processo que pode culminar na cassação desses mandatos.

O motivo é o mais torpe possível: quebra de decoro por ajudar profissionais da educação a entrarem nos espaços da Câmara Municipal.

No dia 14/12 foi votada, numa sessão repleta de irregularidades, uma proposta do governo Nelson que reestrutura completamente o Plano de Cargos e Salários da educação, retirando diversos direitos que historicamente foram conquistados com muita luta pela categoria. Não houve nenhuma discussão pública acerca da proposta, que foi votada com menos de 24 horas, o que fere brutalmente os ritos regimentais da Câmara. Mas o maior absurdo foi a mobilização de um aparato de guerra, que agiu truculentamente para impedir que os profissionais da educação, que faziam forte manifestação, entrassem na Câmara. Queriam votar uma proposta que destruiria a carreira dos educadores, sem nenhuma participação popular nas galerias ou no plenário.

A atuação da oposição, notadamente os mandatos do Prof. Josemar e do Romário Régis, agiram de forma exemplar ao garantir a entrada dos servidores na Câmara Municipal e também ao denunciarem essa proposta perversa do governo Nelson.

Numa Câmara em que é comum parlamentares e assessores andarem armados pelos corredores, ofensas e ameaças serem proferidas nas tribunas, até a violência física já chegou a acontecer em certa ocasião entre vereadores, querer cassar os mandatos da oposição por ajudarem profissionais da educação a atravessarem catracas, torna a peça ainda mais esdrúxula do que já seria normalmente.

Portanto, temos a certeza de que se trata de uma evidente tentativa de nos silenciar enquanto oposição, perseguição política e intimidação que não aceitaremos em hipótese nenhuma. Josemar foi o segundo vereador mais votado de São Gonçalo, eleito justamente para lutar em defesa dos trabalhadores e assim seguiremos com a firmeza que nos cabe.

Seguiremos denunciando os ataques aos direitos dos trabalhadores perpetrados pelo governo Nelson e a subserviência dessa Câmara.

Sabendo da responsabilidade que temos em fazer um mandato exemplar, livre dos conchavos políticos e com total independência. Não chegamos aqui para ser mais do mesmo. Chegou ao fim o tempo em que essa Câmara não tinha uma oposição de verdade, e apesar de incomodarmos bastante um parlamento que não tem tradição democrática de lidar com pensamentos divergentes, nós seguiremos fazendo o que a população espera de nós: defender os interesses do povo, custe o que custar!

Marcio Ornelas

Presidente do PSOL São Gonçalo