sexta-feira, 28 de março de 2014

Da Revolta da Chibata ao motim dos lixeiros, o Rio de Janeiro sublevado

por Jorge Santana

Há 114 anos, a cidade do Rio de Janeiro foi sacudida por uma rebelião na baía de Guanabara, a Revolta da Chibata. O caos tomou conta da capital da república quando marinheiros tomaram os dois mais potentes navios da Marinha e ameaçavam bombardear a cidade se suas reivindicações não fossem atendidas. Eram mais de dois mil marinheiros pobres, quase todos não brancos e subalternos. 

A Revolta da Chibata, em 1910, desafiou a hierarquia militar da Marinha do Brasil, os praças reivindicavam o fim dos castigos físicos, melhores condições de trabalho, aumento do soldo, direito a voto e ao casamento. O líder deles era João Cândido, um marinheiro negro, corajoso e destemido. Contudo, é importante assinalar que os marinheiros não tinham sindicato. Durante a tomada dos navios dois oficiais foram mortos. O governo federal aceitou o fim das punições físicas e a anistia dos rebeldes. Ao baixarem as armas ocorreu à caça às bruxas e a grande maioria dos revoltosos foram presos, expulsos da Marinha e outros assassinados sumariamente. 

sábado, 8 de março de 2014

Parabéns a todas as mulheres pelo seu dia! 08 de março! – Dia Internacional das Mulheres!

por Gleice Abboud

Diferentemente do que é propagado, como um dia meramente de festas. A história do dia 08 de março está diretamente ligada ao processo de reivindicações e conquistas.

Tudo começou no dia 08 de março de 1857, quando um conjunto de operárias de uma indústria têxtil de Nova Iork, realizaram uma greve.

As mulheres lutavam também por tratamento digno. As operárias ocuparam a fábrica, visando condições de trabalho, redução na carga horária de 16h para 10h de trabalho, equiparação de salários com os homens. É importante destacar que na época, as mulheres chegavam a ganhar um terço do salário de um homem.

Esta greve foi duramente reprimida e levou a morte de 130 tecelãs. A fábrica foi incendiada num ato totalmente desumano.

A partir de 1910, durante a Segunda Conferência da Internacional das Mulheres Socialistas na Dinamarca, a alemã Clara Zetkin propôs que a data fosse utilizada para homenagear as mulheres de todo o planeta. De lá para cá, a data passou ser parte do calendário dos movimentos sociais. A ONU reconheceu a data a partir de 1975.

No Brasil, a luta das mulheres também é antiga. No último 24 de fevereiro, completou 82 anos do voto feminino. Uma conquista que garantiu o direito a votar e ser votada.

Ainda hoje, vivemos uma sociedade onde atitudes sexistas e machistas são predominantes.

A luta contra a desigualdade de gênero no campo da saúde, do reconhecimento social e dos direitos continuam.

Parabenizamos a todas as mulheres que conquistam espaço a cada dia.

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Gleice Abboud, 30 anos, professora da rede pública estadual. Militante do PSOL de São Gonçalo- RJ.

Mais um round da luta de classes

por Prof. Josemar Carvalho &
Marcio Ornelas

Ato dos garis do dia 07/03/2014
Nos últimos meses temos acompanhado mobilizações de diversos setores da classe trabalhadora organizada, contrariando os ideólogos da burguesia, a luta de classes permanece atual e mais viva do que nunca. Vimos no ano passado a forte greve dos professores no Rio de Janeiro. Já no início de 2014 uma série de outras lutas seguiram, com destaque particular aos rodoviários de Porto Alegre e aos trabalhadores do COMPERJ. Agora, a histórica greve dos garis é a consolidação definitiva de que vivemos novos tempos.

Obviamente, não conseguiremos compreender essas lutas se não considerarmos o papel decisivo das jornadas de junho. Em 2013, milhões de pessoas tomaram as ruas do país para exigir inúmeras pautas que melhorariam muito a vida da população. A insatisfação popular dava a tônica do processo, não havia uma saída política clara ao movimento, mas a manifestação da negação ao que estava posto, já representava um avanço significativo em relação a tudo que vivenciamos nesses anos de democracia. Colocar a população no calor das lutas, impor uma derrota à política tradicional e provar a força da mobilização, são aprendizados que fazem o nível de consciência da população dar saltos.