terça-feira, 5 de abril de 2022

Projeto de lei do Prof. Josemar que garante direitos para as pessoas com deficiência é aprovado

Na noite dessa terça-feira (05/04) foi para votação o projeto de lei n° 0121/2021, de autoria do vereador Prof. Josemar, que assegura que os usuários com deficiência e mobilidade reduzida, possam desembarcar fora das paradas obrigatórias nos transportes públicos em São Gonçalo.

O projeto de lei foi aprovado por unanimidade na Câmara Municipal, recebendo 20 votos favoráveis. Prof. Josemar comemorou a aprovação de mais um projeto de lei.

“São Gonçalo não é uma cidade acessível para os portadores de deficiência. As calçadas são irregulares e mesmos as repartições públicas possuem pouca preocupação com a acessibilidade. Qualquer conquista que vá na direção de tornar a vida dessas pessoas mais simples, significa muito” - disse o vereador do PSOL.

Agora o projeto de lei segue para as mão do prefeito Capitão Nelson para ser sancionado.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Sessão solene organizada pelo mandato do Prof. Josemar homenageia mulheres negras de São Gonçalo

Na manhã dessa quarta-feira (16/03), foi realizada na Câmara Municipal de São Gonçalo, uma sessão solene para a entrega do Título de Mérito Marielle Franco de Direitos Humanos para diversas mulheres negras de São Gonçalo.

A atividade foi organizada pelo mandato do vereador Prof. Josemar (PSOL) em parceria com o Fórum de Mulheres Negras de São Gonçalo. Ao todo foram homenageadas mais de 30 mulheres com atuação reconhecida no município, que compartilham belíssimas histórias de luta e de resistência.

A atividade aconteceu na semana em completam 4 anos que vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados. Um crime que continua sem respostas.

Ao final da sessão solene Prof. Josemar falou sobre a importância reconhecer a luta das mulheres negras.

"Essas mulheres têm em comum a história de luta, de resistência e a atuação incansável para fazer dessa nossa sociedade um lugar melhor. Elas passaram por muitas coisas e não desistiram. E estão aqui falando conosco que nós não temos o direito de desistir. O meu mandato vai ser sempre um instrumento para impulsionar a luta dessas mulheres negras." - disse o vereador do PSOL.

Foi a primeira vez que na atual legislatura Título de Mérito Marielle Franco de Direitos Humanos foi concedido.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

O rastro de violência do racismo

por Marcio Ornelas

Há certas situações que são absolutamente inconcebíveis na sociedade em que vivemos. Proponha-se ao exercício de imaginar a seguinte cena: um homem branco, se aproxima do portão de sua casa e abre a mochila para procurar suas chaves. A atitude gera suspeição no vizinho, que deduz tratar-se de um bandido. Com isso efetua 3 disparos com uma pistola e mata o suspeito. Conseguem imaginar tal cena acontecendo com um homem branco?

Difícil imaginar. Pois o que gera a suspeição não é o gesto de abrir uma mochila, andar mais lentamente ou apressadamente. A suspeição é ao fim e ao cabo uma questão racial, tão dramática e profunda no nosso mais, que até mesmo o ato mais severo possível que é o de retirar uma vida, vira uma questão corriqueira e até mesmo justificável.

Nas exatas circunstancias descritas acima, morreu Durval Teófilo Filho. Homem negro, trabalhador, pai de família e morador de São Gonçalo. Durval trocou uma comunidade por uma residência num condomínio, almejando justamente maior segurança para si e para sua família. Mas a violência é uma perseguidora implacável nessa sociedade para qualquer pessoa da raça de Durval. Durval não poderia imaginar que não há condomínio, ou bairro, ou cidade, ou estado, que te garanta proteção contra o racismo no nosso país. Nem mesmo posição social.

Isso por que o racismo é um elemento tão fundamentalmente estruturante do capitalismo brasileiro, usado por centenas de anos como elemento de diferenciação social, dolorosamente construído em somatórias vergonhosas de vidas negras, num rastro de violência que se aprofunda até hoje e segue se ressignificando. Cada vez com um discurso e uma simbologia diferente. O capitalismo brasileiro sem racismo não existiria e não seria essa máquina brilhante de exploração.

Em nome do PSOL São Gonçalo, presto toda minha solidariedade aos familiares e amigos da vítima, nesse momento de indignante dor. Mas prestamos também o nosso empenho e compromisso na luta por justiça. Para que não varram para baixo do tapete as reais motivações desse crime: o racismo.

Marcio Ornelas, 32 anos, professor de geografia. Presidente do PSOL São Gonçalo e coordenador da Rede Emancipa de Educação Popular.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

MuseUmbanda em São Gonçalo: reencontro com a história e luta contra a intolerância religiosa

por Prof. Josemar

A cidade de São Gonçalo, em 15 de novembro de 1908, foi o ponto de anunciação da Umbanda na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, localizada na Rua Floriano Peixoto, no bairro de Neves. A incorporação do Caboclo das Setes Encruzilhadas foi mediunizada por Zélio de Moraes.

A Umbanda é uma religião brasileira, baseada no sincretismo social que envolve as religiões africanas, as crenças indígenas e o catolicismo baseado na tradição europeia. Mesmo com as perseguições no Estado Novo, baseadas no racismo religioso, as Casas de Umbanda se disseminaram pelo tecido urbano nacional, onde registram-se centenas de casas nos anos 1950. Hoje também é internacional, com diversos matizes e ramificações.

O refluxo iniciou-se na década de 1980, em sintonia com o crescimento das seitas fundamentalistas neopentecostais. Essas se desenvolveram na esteira da crise metropolitana das últimas décadas, ocupando o espaço dos terreiros nas periferias. Aprofunda-se o pensamento “demonizante” da Umbanda e das casas de Candomblé.

A história é pouco difundida, logo pouco reivindicada. Eu mesmo, quando criança, estudei no Colégio Santos Dias, que se localiza em frente à casa onde a Umbanda foi fundada. Nunca me falaram na escola sobre a importância histórica do imóvel que estava a 10 metros. 

Apresentar a história é também fortalecer a memória de resistência popular e cultural.

BERÇO DA UMBANDA

No dia 2 de outubro de 2021 foi inaugurado o MuseUmbanda, uma associação da sociedade civil. A iniciativa visa à construção de um museu, que tem como objetivo o resgate de memória da Umbanda e a luta contra a intolerância religiosa.

Leu-se o estatuto. Expôs a história da religião que teve sua anunciação em São Gonçalo. Discutiu-se sobre os objetivos do MuseUmbanda. Reafirmou-se os pressupostos da luta pelo Estado laico. Apresentou-se o projeto de construção do Museu com uma estrutura física, cinco exposições permanentes. Por último, elegeu-se a diretoria fundacional, a ser presidida por Pai Fernando de D’Oxum.

A iniciativa contou com a participação de pesquisadores, parlamentares, ativistas do Movimento Negro e líderes de religiões de matrizes africanas. Um evento importante foi realizado na Tenda Espírita São Lázaro, no bairro de Santa Catarina, na cidade de São Gonçalo.

A LUTA CONTRA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA: É UMA NECESSIDADE

O avanço da intolerância religiosa é produto de uma crise social. Tem no seu pilar central o conservadorismo social burguês racista, que se instrumentaliza e é potencializado por representantes públicos no cenário político e social.

A demonização, a radicalização irracional, os ataques aos terreiros de religiões de matrizes africanas, discursos de ódio e elitismo social-racial são as partes visíveis e violentas deste projeto de poder que colabora efetivamente para o projeto de extrema direita instalado no Brasil.

O MuseUmbanda tem como cláusula pétrea a luta contra a intolerância religiosa e a defesa do Estado laico. Está no seu horizonte a construção de trabalho de conscientização cotidiana. A luta contra o preconceito é parte intrínseca da sua existência enquanto Museu.

Lutar contra a intolerância religiosa deve fazer da nossa estratégia rumo à construção de uma sociedade sem explorados, sem exploradores, sem oprimidos e sem opressores. Livre de preconceitos e de autoritarismos.

----------

Prof. Josemar é vereador do PSOL em São Gonçalo/RJ.

Obs: Esse texto foi originalmente publicado na cartilha dos povos de terreiro produzida pelo mandato da Deputada Estadual Luciana Genro.



quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

São Gonçalo vai vacinar as nossas crianças contra COVID-19 ou não?

por Marcio Ornelas

A Ômicron não é uma questão de disputa narrativa ou ideológica, ela é um fato concreto que fez o mundo quebrar o recorde do número de casos, passando de 3 milhões nas últimas 24h. É a variante mais transmissível que tivemos contato até o momento e consequentemente a que mais tem potencial para colapsar os sistemas de saúde. No Brasil a presença da Ômicron também já é perceptível, com 73.617 casos nas últimas 24h, isso significa um aumento de 631% na média comparado com duas semanas atrás. Esses são números incontestes que indicam que o Brasil está iniciando a sua jornada pela nova variante.

Mas há uma situação que nos dá esperança: a vacinação que ultrapassa 75% da população, mostra que o Brasil com sua cultura vacinal consolidada está pronto para se proteger da melhor forma possível contra essa variante. Apesar de toda a propaganda negacionista promovida pelo governo Bolsonaro, a ampla maioria da população optou pela ciência e escolheu se vacinar.

Mas a realidade é que a nova variante está expondo atualmente um novo grupo que nunca esteve integrado ao programa de vacinação: as crianças de 5 a 11 anos de idade. Essa é uma situação nova, pois as primeiras versões do vírus eram praticamente inofensivas para essa faixa etária, mas isso aparentemente vem mudando com as mutações. Reproduzo na íntegra um dado presente no site do médico Dráuzio Varella:

"A covid está entre as dez principais causas de óbito dos 5 aos 11 anos e já tirou mais vidas do que a somatória de todas as mortes provocadas por doenças da infância para as quais existem vacinas."

Isso é verdadeiramente alarmante. Pois as nossas crianças estão inegavelmente adoecendo e morrendo, para uma doença que já existe vacina. Então se faz necessário rapidamente, como tem feito o mundo todo, incluir essa faixa etária no grupo da vacinação. A segurança da vacina para crianças nessa idade já foi atestada por mais de uma dezena de estudos. Nossos vizinhos Rio de Janeiro e Niterói já anunciaram um calendário com todos os detalhes do cronograma da vacinação. Em são Gonçalo paira o silêncio.

Sabemos que as pressões da direita na nossa cidade se movimentam de maneira escusa e voraz, mas não podemos permitir que a covardia do governo Nelson em enfrentar o negacionismo da sua base aliada custe a vida das nossas crianças. Por isso exigimos imediatamente a apresentação de um cronograma de vacinação para as crianças gonçalenses!