quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

MuseUmbanda em São Gonçalo: reencontro com a história e luta contra a intolerância religiosa

por Prof. Josemar

A cidade de São Gonçalo, em 15 de novembro de 1908, foi o ponto de anunciação da Umbanda na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, localizada na Rua Floriano Peixoto, no bairro de Neves. A incorporação do Caboclo das Setes Encruzilhadas foi mediunizada por Zélio de Moraes.

A Umbanda é uma religião brasileira, baseada no sincretismo social que envolve as religiões africanas, as crenças indígenas e o catolicismo baseado na tradição europeia. Mesmo com as perseguições no Estado Novo, baseadas no racismo religioso, as Casas de Umbanda se disseminaram pelo tecido urbano nacional, onde registram-se centenas de casas nos anos 1950. Hoje também é internacional, com diversos matizes e ramificações.

O refluxo iniciou-se na década de 1980, em sintonia com o crescimento das seitas fundamentalistas neopentecostais. Essas se desenvolveram na esteira da crise metropolitana das últimas décadas, ocupando o espaço dos terreiros nas periferias. Aprofunda-se o pensamento “demonizante” da Umbanda e das casas de Candomblé.

A história é pouco difundida, logo pouco reivindicada. Eu mesmo, quando criança, estudei no Colégio Santos Dias, que se localiza em frente à casa onde a Umbanda foi fundada. Nunca me falaram na escola sobre a importância histórica do imóvel que estava a 10 metros. 

Apresentar a história é também fortalecer a memória de resistência popular e cultural.

BERÇO DA UMBANDA

No dia 2 de outubro de 2021 foi inaugurado o MuseUmbanda, uma associação da sociedade civil. A iniciativa visa à construção de um museu, que tem como objetivo o resgate de memória da Umbanda e a luta contra a intolerância religiosa.

Leu-se o estatuto. Expôs a história da religião que teve sua anunciação em São Gonçalo. Discutiu-se sobre os objetivos do MuseUmbanda. Reafirmou-se os pressupostos da luta pelo Estado laico. Apresentou-se o projeto de construção do Museu com uma estrutura física, cinco exposições permanentes. Por último, elegeu-se a diretoria fundacional, a ser presidida por Pai Fernando de D’Oxum.

A iniciativa contou com a participação de pesquisadores, parlamentares, ativistas do Movimento Negro e líderes de religiões de matrizes africanas. Um evento importante foi realizado na Tenda Espírita São Lázaro, no bairro de Santa Catarina, na cidade de São Gonçalo.

A LUTA CONTRA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA: É UMA NECESSIDADE

O avanço da intolerância religiosa é produto de uma crise social. Tem no seu pilar central o conservadorismo social burguês racista, que se instrumentaliza e é potencializado por representantes públicos no cenário político e social.

A demonização, a radicalização irracional, os ataques aos terreiros de religiões de matrizes africanas, discursos de ódio e elitismo social-racial são as partes visíveis e violentas deste projeto de poder que colabora efetivamente para o projeto de extrema direita instalado no Brasil.

O MuseUmbanda tem como cláusula pétrea a luta contra a intolerância religiosa e a defesa do Estado laico. Está no seu horizonte a construção de trabalho de conscientização cotidiana. A luta contra o preconceito é parte intrínseca da sua existência enquanto Museu.

Lutar contra a intolerância religiosa deve fazer da nossa estratégia rumo à construção de uma sociedade sem explorados, sem exploradores, sem oprimidos e sem opressores. Livre de preconceitos e de autoritarismos.

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Prof. Josemar é vereador do PSOL em São Gonçalo/RJ.

Obs: Esse texto foi originalmente publicado na cartilha dos povos de terreiro produzida pelo mandato da Deputada Estadual Luciana Genro.



quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

São Gonçalo vai vacinar as nossas crianças contra COVID-19 ou não?

por Marcio Ornelas

A Ômicron não é uma questão de disputa narrativa ou ideológica, ela é um fato concreto que fez o mundo quebrar o recorde do número de casos, passando de 3 milhões nas últimas 24h. É a variante mais transmissível que tivemos contato até o momento e consequentemente a que mais tem potencial para colapsar os sistemas de saúde. No Brasil a presença da Ômicron também já é perceptível, com 73.617 casos nas últimas 24h, isso significa um aumento de 631% na média comparado com duas semanas atrás. Esses são números incontestes que indicam que o Brasil está iniciando a sua jornada pela nova variante.

Mas há uma situação que nos dá esperança: a vacinação que ultrapassa 75% da população, mostra que o Brasil com sua cultura vacinal consolidada está pronto para se proteger da melhor forma possível contra essa variante. Apesar de toda a propaganda negacionista promovida pelo governo Bolsonaro, a ampla maioria da população optou pela ciência e escolheu se vacinar.

Mas a realidade é que a nova variante está expondo atualmente um novo grupo que nunca esteve integrado ao programa de vacinação: as crianças de 5 a 11 anos de idade. Essa é uma situação nova, pois as primeiras versões do vírus eram praticamente inofensivas para essa faixa etária, mas isso aparentemente vem mudando com as mutações. Reproduzo na íntegra um dado presente no site do médico Dráuzio Varella:

"A covid está entre as dez principais causas de óbito dos 5 aos 11 anos e já tirou mais vidas do que a somatória de todas as mortes provocadas por doenças da infância para as quais existem vacinas."

Isso é verdadeiramente alarmante. Pois as nossas crianças estão inegavelmente adoecendo e morrendo, para uma doença que já existe vacina. Então se faz necessário rapidamente, como tem feito o mundo todo, incluir essa faixa etária no grupo da vacinação. A segurança da vacina para crianças nessa idade já foi atestada por mais de uma dezena de estudos. Nossos vizinhos Rio de Janeiro e Niterói já anunciaram um calendário com todos os detalhes do cronograma da vacinação. Em são Gonçalo paira o silêncio.

Sabemos que as pressões da direita na nossa cidade se movimentam de maneira escusa e voraz, mas não podemos permitir que a covardia do governo Nelson em enfrentar o negacionismo da sua base aliada custe a vida das nossas crianças. Por isso exigimos imediatamente a apresentação de um cronograma de vacinação para as crianças gonçalenses!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Contra a cassação do mandato de Prof. Josemar! Não aceitaremos perseguição política!


Na última sessão (15/12) da Câmara Municipal de São Gonçalo, durante a abertura dos trabalhos, fomos surpreendidos com a leitura de uma representação contra os vereadores Prof. Josemar (PSOL) e Romário Régis (PCdoB), que os colocariam sob judice na Comissão de Ética. Processo que pode culminar na cassação desses mandatos.

O motivo é o mais torpe possível: quebra de decoro por ajudar profissionais da educação a entrarem nos espaços da Câmara Municipal.

No dia 14/12 foi votada, numa sessão repleta de irregularidades, uma proposta do governo Nelson que reestrutura completamente o Plano de Cargos e Salários da educação, retirando diversos direitos que historicamente foram conquistados com muita luta pela categoria. Não houve nenhuma discussão pública acerca da proposta, que foi votada com menos de 24 horas, o que fere brutalmente os ritos regimentais da Câmara. Mas o maior absurdo foi a mobilização de um aparato de guerra, que agiu truculentamente para impedir que os profissionais da educação, que faziam forte manifestação, entrassem na Câmara. Queriam votar uma proposta que destruiria a carreira dos educadores, sem nenhuma participação popular nas galerias ou no plenário.

A atuação da oposição, notadamente os mandatos do Prof. Josemar e do Romário Régis, agiram de forma exemplar ao garantir a entrada dos servidores na Câmara Municipal e também ao denunciarem essa proposta perversa do governo Nelson.

Numa Câmara em que é comum parlamentares e assessores andarem armados pelos corredores, ofensas e ameaças serem proferidas nas tribunas, até a violência física já chegou a acontecer em certa ocasião entre vereadores, querer cassar os mandatos da oposição por ajudarem profissionais da educação a atravessarem catracas, torna a peça ainda mais esdrúxula do que já seria normalmente.

Portanto, temos a certeza de que se trata de uma evidente tentativa de nos silenciar enquanto oposição, perseguição política e intimidação que não aceitaremos em hipótese nenhuma. Josemar foi o segundo vereador mais votado de São Gonçalo, eleito justamente para lutar em defesa dos trabalhadores e assim seguiremos com a firmeza que nos cabe.

Seguiremos denunciando os ataques aos direitos dos trabalhadores perpetrados pelo governo Nelson e a subserviência dessa Câmara.

Sabendo da responsabilidade que temos em fazer um mandato exemplar, livre dos conchavos políticos e com total independência. Não chegamos aqui para ser mais do mesmo. Chegou ao fim o tempo em que essa Câmara não tinha uma oposição de verdade, e apesar de incomodarmos bastante um parlamento que não tem tradição democrática de lidar com pensamentos divergentes, nós seguiremos fazendo o que a população espera de nós: defender os interesses do povo, custe o que custar!

Marcio Ornelas

Presidente do PSOL São Gonçalo

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

PSOL São Gonçalo realizou a plenária de encerramento do ano de 2022


Na manhã do último domingo (05/12) o PSOL São Gonçalo realizou a plenária de encerramento do ano de 2022. A atividade contou com a participação de mais de 40 pessoas, muitas das quais vieram pela primeira vez numa atividade organizada pelo PSOL.

A plenária debateu a conjuntura nacional, ratificando pela ampla maioria das colocações, a necessidade do PSOL ser um polo alternativo, com perfil e candidaturas próprias na eleição de 2022. Rechaçando em absoluto, as movimentações oportunistas do PT, que quer colocar Geraldo Alckmin como vice de Lula.

A plenária ainda tirou dois encaminhamentos fundamentais para a organização partidária em 2022. O primeiro é a organização de um seminário para ser realizado em fevereiro, sobre o Muvi. Um projeto que deve impactar milhares de famílias com as remoções que estão previstas. O segundo é um curso de introdução ao pensamento marxista para ser realizado também em fevereiro! 

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Nota do PSOL São Gonçalo sobre a chacina do Complexo do Salgueiro


Quantos mais tem que morrer para essa guerra acabar?

Fomos surpreendidos na manhã desta segunda-feira com as notícias de que uma operação policial provocou a morte de pelo menos 8 pessoas no Complexo do Salgueiro em São Gonçalo.

O PSOL sempre posicionou-se contrário a violência e a chacina enquanto política de segurança pública. Essa barbárie que se perpetua nas periferias, anos após ano, só tem gerado mais violência e insegurança. Enquanto a criminalidade se institucionaliza e avança rapidamente por novos territórios.

Essa política tem como consequência inevitável colocar as pessoas que vivem nessa região, que sustentam suas famílias honestamente com o suor do seu trabalho, sob um regime de terror permanente. Onde o risco de morte é real e pode emergir a qualquer momento.

Também não aceitamos que vidas inocentes sejam retiradas, sob o discurso de que esse é um “ônus de guerra” irreversível, pois o dever do Estado em primeiro lugar, deveria ser garantir a segurança e a vida das pessoas. Como não lembrar de João Pedro, menino de 14 anos que foi morto enquanto brincava no quintal de casa com os seus primos? Não vamos naturalizar que a cada nova operação policial, torna-se aceitável ter como consequência dezenas de mortes. 

Mas o verdadeiro culpado nesse momento tem nome e sobrenome: Cláudio Castro. Governador que em menos de um ano de gestão, chancelou diversas chacinas, reproduzindo uma política sanguinária de seus antecessores, onde contabilizar cadáveres é mais importante do que investir em políticas públicas reais que possam reduzir a criminalidade.

Portanto, nos solidarizamos com os familiares das vítimas e exigimos desse governo genocida que dê um basta nessa política de mortes imediatamente!

Executiva Municipal do PSOL São Gonçalo