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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Denúncia de superfaturamento da Prefeitura de álcool em gel.


A gestão Nanci – Pericar pagou R$ 105 a unidade na compra de 800 frascos de 500 ml cada de álcool em gel. Foram gastos R$ 84 mil do dinheiro público. Na farmácias do município, o mesmo produto pode ser encontrado por cerca de R$ 20.

A compra dos frascos pelo poder municipal foi feita por meio de pregão eletrônico, com dispensa de licitação, e publicada no Diário Oficial do município em 31 de março.

A Prefeitura de São Gonçalo precisa esclarecer esse absurdo a população. Em plena pandemia, com os casos de contaminação aumentando em nossa cidade que sofre com as faltas de medidas, uma séria denúncia aparece.

Que os responsáveis por essa fraude sejam investigados imediatamente.
Vejam a reportagem do RJTV 1ª Edição no site do G1:





sábado, 4 de novembro de 2017

Delírios e delícias da casta

Chico Alencar
Originalmente publicado no Blog do Noblat
Volta e meia vem gente reclamar de que não dá mais para olhar o Brasil na base do “nós contra eles”. Só que essa crítica não considera a desigualdade de oportunidades em uma sociedade de classes como a nossa, com ínfima mobilidade social.
Não há também a percepção de que o comportamento de muitos agentes públicos que repudiam como “artificial” esse conflito contribui para… aprofundá-lo.
O Brasil tem 13 milhões de desempregados, 3 milhões retornando à miséria e 83% dos empregados formais recebendo até três salários mínimos. Acrescente-se a isso a taxa de homicídios de jovens até 29 anos, que aumentou 17,2% entre 2005 e 2015, sendo 71% das vítimas negros (fonte: Atlas da Violência).
Por trás das estatísticas, há pessoas sofrendo e morrendo: uma tragédia social no Brasil profundo, das margens. Brasil excluído e esquecido, anônimo.
Em boa parte das elites, a insensibilidade. Cito exemplos, alguns quase que de coluna social: face a essa realidade, é razoável uma farta comitiva oficial se hospedar em hotéis de altíssimo luxo, quando de viagens ao exterior?
É aceitável ter tantos membros dos Três Poderes da República recebendo, a cada mês, quatro ou cinco vezes o teto constitucional?
É compreensível destacados membros do Legislativo gastarem mais de mil reais em uma gravata de grife ou R$ 350 para aparar os bigodes?
Dirão, com razão, que alguns desses episódios são menores, meros hábitos aristocráticos possibilitados por riqueza familiar ou direitos adquiridos por mérito.
Mas esses procedimentos (ou emolumentos) sinalizam o abismo entre dois mundos, ainda mais quando praticados por agentes públicos: “nós” x “eles”. Guardam mesmo certa relação com os escandalosos R$ 51 milhões de Geddel Vieira Lima, ex-articulador político de FHC, ex-ministro de Lula, ex-diretor jurídico da Caixa Econômica Federal de Dilma, ex-homem-forte do presidente postiço Temer… E com a ascensão do império JBS, proteinado por propinas.
Nesse mundo se esbanja o que falta para as políticas públicas para as maiorias.
Tudo isso se inscreve na nossa cultura de casta, de elitismo patrimonialista, de histórica distância entre os que governam e os que são governados.
Nos palácios do poder, o “costume” é olhar para o próprio espelho, e não para a praça, para a sociedade, razão e sentido da função pública.
Para além de todas as reformas substantivas tão necessárias quanto distantes da agenda atual, é preciso também uma mudança radical de postura de quem está ocupando ou busca ocupar cargos no Estado Brasileiro. Sob pena de cada vez mais os governados não se reconhecerem nos governantes e, assim, os repudirarem.
Nunca é demais relembrar a exortação do papa Francisco, inspirado, como ele mesmo disse, no exemplo despojado de Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai: “quem tem apego demais às coisas materiais, gosta de dinheiro, de banquetes exuberantes, de mansões suntuosas, de trajes refinados, de automóveis de luxo, eu aconselho que reze para que Deus o livre dessas ataduras e, por favor, não se meta em política – nem no seminário!”.
Chico Alencar

Chico Alencar é professor de História (UFRJ), escritor e deputado federal (PSOL/RJ).

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Neilton Mulim é preso por fraude de R$ 40 milhões na iluminação pública do município de São Gonçalo

Prof. Josemar Carvalho

A cidade de São Gonçalo amanheceu com o tempo nublado, porém com sentimento de justiça no ar. O Ex-Prefeito Neilton Mulim, responsável por um dos piores governos da história da cidade, foi preso. Sua detenção foi feita pela operação "Apagão" do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público na sua residência na cidade de Maricá. 
A acusação é de fraude de R$ 40 milhões na iluminação pública do município de São Gonçalo. De acordo com o Ministério Público, o contrato saltou de R$ 5,8 milhões para R$ 15,5 milhões e foi 'completamente desperdiçado'. 

Câmara Municipal e atual gestão da Prefeitura são omissas ...
Nós do PSOL sempre fomos oposição ao governo de Neilton Mulim. Saudamos com entusiamo, os desdobramentos da investigação que levou a sua prisão. Por outro lado, estranhamos que a legislatura passada, bem como a atual da Câmara de Vereadores tenham aprovado as contas de Mulim. Sabemos que é papel dos Vereadores é de fiscalizar as contas do Prefeito. E quando não há faz comete abre uma irregularidade.
Também ficamos surpresos que a atual gestão do Prefeito Dr. José Luiz Nanci, mesmo afirmando que houve rombo na Prefeitura, não tenha aberto nenhuma auditoria nas contas e na relação patrimonial da Prefeitura. O poder público não pode se eximir de suas responsabilidades éticas e sociais.
Para nós do PSOL São Gonçalo, a prisão de Neilton Mulim é um passo inicial importante. Afirmamos que é necessário ir além, pois há "indicios" de corrupção em outros temas. Os mais gritantes foram o contrato 425/2012 (que regulamenta o transporte público na cidade); e os contratos das merendas escolares.


Leia também:

1) Avaliação de dois meses do governo Neilton Mulim, onde apontavamos erros iniciais de condução: 
DOIS MESES DO GOVERNO NEILTON MULIM: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA!

2) O Texto do Prof. Márcio Ornelas publicado no blog PSOL São Gonçalo sobre o descaso de Mulim com a cidade: As mentiras de Neilton Mulim

3) O Texto do jovem Márzio Sabino publicado no seu blog pessoal: Neilton Mulim - O mentiroso

4) Uma avaliação do governo Mulim em 2014: Castelo de cartas de Mulim começa a cair

5) A matéria do G1 sobre a prisão de Mulim:


Neilton Mulim é suspeito de fraude de R$ 40 milhões na iluminação pública do município. MP diz que contrato saltou de R$ 5,8 milhões para R$ 15,5…
G1.GLOBO.COM

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Josemar Carvalho, 41 anos, 1º Suplente de Deputado Estadual do PSOL-RJ, professor universitário e da rede pública de ensino. Presidente do Diretório Municipal do PSOL de São Gonçalo- RJ. Coordenador e Educador Popular da Rede Emancipa.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A CORRUPÇÃO POLICIAL e o GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA: DUAS FACES DA MESMA MOEDA

Por PH LIMA


A população de São Gonçalo foi surpreendida pela notícia de uma operação policial de repercussão na imprensa nacional que teve como protagonistas PMs do 7° Batalhão (Batalhão de Alcântara). O protagonismo infelizmente, mais uma vez, não é pelo fato dessa instituição cumprir sua função de garantir segurança aos moradores da cidade, ao contrário. As investigações da polícia civil provam uma afirmativa que há muito tempo o movimento negro denuncia no Brasil, no Rio e, em particular, em nossa na cidade: A PM faz parte da estrutura do crime!


“A MAIOR OPERAÇÃO CONTRA CORRUPÇÃO POLICIAL NA HISTÓRIA DO RJ” assim foi chamada pela imprensa a operação “Calabar”, investigação comandada pelo ministério público e pela polícia civil contra a corrupção da PM. Na madrugada de hoje (29/06) cerca de 800 agentes saíram para dar cumprimento a 172 mandados de prisão, 96 deles contra policiais militares. Todos que estão, ou estiveram lotados no 7° Batalhão, entre 2014 e 2016. Mais de 100 mandados de busca e apreensão (inclusive dentro do próprio batalhão da cidade) também estão sendo cumpridos.

A investigação foi iniciada para apurar denúncias sobre recebimento de propina por parte de PMs. Mas ao longo delas constatou-se que os policiais não só recebiam cerca de 1 milhão por mês de propina (arrego) extorquida de criminosos de aproximadamente 50 comunidades (a maioria de São Gonçalo) como também, atuavam como “gerentes do crime”. Escoltavam criminosos, alugavam fuzis do batalhão, davam informações sobre operações policiais... Para eles, quanto maior o lucro dos criminosos, maiores seriam suas propinas. Não atoa os índices violência na cidade dispararam no período investigado. Os PMs não só estimulavam a prática desses crimes, como também os organizavam.


O batalhão do arrego chegava a sequestrar traficantes cobrando mais de R$ 10 mil pelo resgate. Estima-se que: “a venda de favores e cobrança de dinheiro a traficantes rendesse, pelo menos, R$ 350 mil por semana aos PMs que estavam no Grupamento de Ações Táticas (GAT), Patrulha Tático Móvel (PATAMO), Serviço Reservado (P-2), no Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) e Ocupação (uma espécie de "UPP" de São Gonçalo)”.

Uma das maiores demandas de nossa cidade certamente é a segurança pública. Nós do PSOL sempre dissemos que o caminho para a garantia da segurança passa pelo combate as desigualdades sociais, por políticas públicas para a juventude e pelo combate a todos os tipos de corrupção, seja a praticada pelos políticos (que mata o povo na fila dos hospitais), ou a praticada por policiais/bandidos que deveriam defender o povo, mas que na verdade lucram e administram a própria violência contra a população. Desta forma, parabenizamos o Ministério público e a polícia civil por esta operação e desejamos que ela se aprofunde ainda mais, pois é certo que os mesmos policiais alvos das investigações são parte dos que comandam o extermínio dos jovens negros e pobres de nossa cidade e devem ser duramente punidos.

A forma como esses 96 policiais militares (praticamente um batalhão paralelo) atuavam em São Gonçalo, é mais uma prova de que precisamos rever a estrutura policial como um todo em todo o país. O que permite que criminosos consigam dominar um batalhão de uma cidade? O mesmo batalhão, aliás, que matou a juíza Patrícia Aciole, não por acaso, que combatia as práticas de extermínio orquestradas pela PM na cidade. O batalhão do extermínio, do "auto de resistência", é o também o batalhão da corrupção! Não é coincidência. Onde existe corrupção, existe genocídio! Ambos mantém uma relação direta, complementar e são praticados pelos mesmos agentes e instituições. 

Por essa razão, apesar de ser de extrema importância operações como a de hoje, elas não são suficiente para acabar com a corrupção ou extermínio praticados pela PM. Pois essa instituição tem dentro de suas estruturas gerais o germe da corrupção e o genocídio. Faz parte de sua coluna vertebral, de sua história. 

Como foi demonstrado nas investigações, não estamos falando de ações individuais de um ou outro policial militar, mas sim de parte significativa de todo um batalhão. Representa a instituição. Em todos os batalhões da PM é certo que, em maior ou menor grau, práticas como essa fazem parte da rotina cotidiana. Rotina que inclusive fora narrada nos cinemas do mundo inteiro pelos filmes Tropa de Elite I e II. 

Estamos diante de uma estrutura e um sistema criminoso protegido por uma rígida hierarquia militar que o fortalece e impede muitas vezes, que os próprios policiais possam questionar ou denunciar tais crimes quando praticados pelos seus superiores. É preciso entender que fatos como esses são potencializados pela militarização das policiais. Que a sociedade civil não pode ficar refém de uma polícia MILITAR que se organiza para lidar com o cidadão (quando negro e pobre) como se este fosse um inimigo de guerra e submisso a seu poder e suas ordens. A ideia de servir a população é uma falácia dentro das favelas e periferias.


A PM fede. É o que existe de mais podre dentro de nossa sociedade. Uma instituição que inclusive persegue seus “bons” policiais (aqueles que se negam a seguir o roteiro ilegal e imoral). Você acredita que nenhum desses “bons” policiais tinham conhecimento da propina que era entregue dentro do próprio batalhão a esses bandidos de farda? Assim como sabiam de disso, sabem de outros esquemas de corrupção e de extermínio. Mas então, se são "bons", o que lhes impede de denunciar essas práticas criminosas? O que lhes obriga a serem coniventes com bandidos de farda? A hierarquia militar! Ou seja, defendemos a Desmilitarização da PM não só por ser um interesse fundamental da sociedade civil, mas também para proteger o próprio policial, para que não seja vítima dessa estrutura criminosa! Exigir o fim da PM é a luta pela vida dos jovens negros e pobres que são exterminados nas periferias. Mas também é a luta por uma polícia que tenha mínimas condições de auto organização sindical. Que garanta aos policiais o direito básico e fundamental de lutarem por seus próprios direitos, entre eles, o direito de não serem cúmplices de bandidos de farda que estejam “hierarquicamente” acima mas aterrorizando a população! O Fim da PM é o fim putrificação da segurança pública, sem isso e sem a efetivação de políticas públicas de combate a desigualdade social em todos os níveis, mas em particular no âmbito municipal, valorizando a cultura, o esporte e dando emprego e dignidade a juventude, nunca resolveremos nenhum dos problemas da violência seja em São Gonçalo ou em qualquer parte do Brasil. O que essa operação nos revela sobretudo, é que a equação “mais polícia, mais segurança” só pode funcionar se a sociedade tiver o controle sobre essa polícia, ou seja, se ela não for militar. No nosso caso, da forma como estava estruturada essa quadrilha fardada, ter mais efetivo basicamente era ter mais braços, não para defender a população, mas sim para aterroriza-la.









 PH LIMA, 28 anos, Mc e milita nas causas raciais. Estudante de Direito. Coordenador e Educador Popular da Rede Emancipa. Diretor de comunicação do Diretório Municipal do PSOL de São Gonçalo- RJ..